Participe de vaquinha para plantar uma floresta

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Muita gente me pergunta: “Como posso ajudar a ONG onde você trabalha”? A-há! De várias maneiras. Agora, mais do que nunca, colaborando com a nossa vaquinha. Nós queremos, com a ajuda dos internautas, plantar 3.334 árvores da Mata Atlântica no Sistema Cantareira. Isso corresponde ao tamanho de três campos de futebol de floresta nativa ou dois hectares. Essa é a primeira vez que fazemos uma vaquinha. E também que o município de Extrema, Minas Gerais, onde serão plantadas as árvores, faz um plantio pago por pessoas. Gente como a gente. Clique aqui e faça sua boa ação do dia. Começando a semana do bem.

O que as árvores têm a ver com a água?

A escassez de água também está atrelada à falta de árvores. Esta relação se dá, principalmente, em locais de florestas tropicais como a Mata Atlântica. Coincidência – na verdade, não – as maiores cidades brasileiras como São Paulo estão localizadas nesse bioma. Assim, elas dependem das florestas para abastecer os seus mananciais e, claro, seus habitantes. Você sabe qual a relação das florestas com a água que sai da torneira?

Segundo um estudo da empresa de geoprocessamento Arcplan em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, 76,5% dos 5.082 km de rios que formam o Sistema Cantareira estão sem cobertura vegetal. Sem mata ciliar não há como proteger os rios. O mínimo esperado para que a água seja preservada é cumprir o Código Florestal.

Se todas as Áreas de Preservação Permanente (APPs) dentro do Sistema Cantareira estivessem conservadas (seja com floresta primária, que ainda está livre da intervenção humana, ou recuperadas por meio do plantio de árvores nativas), a crise hídrica que atingiu o Sudeste teria sido menos crítica. Claro que essa preservação deve estar atrelada a medidas de racionalização do consumo; de educação ambiental; tornar a gestão e distribuição mais eficientes. Apenas culpar São Pedro é pouco.

Mesmo porque a Estação Meteorológica (EM) do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP) desde 1932 mede a precipitação (quantidade de água que cai do céu) na Região Metropolitana de São Paulo. O ano de 2014 foi o 13º período chuvoso (outubro a março) mais seco desde 1932 até o ano – o que acabou afetando o crítico ano de 2015. O ano mais seco (no período chuvoso) desde que começaram as medições foi o de 1941. Essa seca é uma variabilidade natural do clima. Assim, a gestão da água deve prever prevenção a esse tipo de condição climática.

Como o solo nessa situação permanece mais seco, a umidade leva mais tempo para voltar às condições médias, mesmo com um aguaceiro caindo sobre a represa. Por isso, o volume de água das represas demora a subir. Ou seja, as florestas contribuem para regular a vazão das águas, pois seguram o excesso de água das chuvas, liberando essa água aos poucos para os rios, represas e nascentes (mantendo-os sempre com água, no caso da Mata Atlântica).

A vegetação também contribui para a manutenção da qualidade das águas filtrando diversos sedimentos (evitando o assoreamento) e poluentes. As árvores nativas também protegem a biodiversidade. Por fim, um efeito global é absorver carbono e colaborar com a regulação do clima do planeta, diminuindo os efeitos negativos da mudança do clima como os eventos extremos (excesso de seca onde antes não havia este problema, por exemplo).

Venha abraçar árvores conosco. Abrace esta causa!

Como é possível plantar águas

É com muito orgulho (e suor) que divulgo o vídeo sobre o projeto Plantando Águas, da Iniciativa Verde. O documentário exclusivo mostra as ações possíveis e relativamente simples que podem ser tomadas para recuperarmos o nosso tesouro: a água. Estoure a pipoca e divirta-se!

Você sabe o que é uma lagoa de sistema fechado?

sarmiento1Alguns lagos ou lagoas são chamados de “sistema fechado”. Ou seja, recebem água, mas sua água não corre para outro lugar (apenas evapora ou infiltra no solo). No maravilhoso Parque Nacional Torres del Paine (Chile), existem dois exemplos divinos de sistema fechado: o Lago Sarmiento (acima) e a Laguna Amarga (abaixo).

Nestes casos (de sistema fechado), os rios levam água – e minerais – para eles que não têm aonde correr (devido a sua posição). Quando isso acontece, os minerais ficam dentro deles. No caso da Laguna Amarga, conforme o tempo foi passando, essa acumulação aumentou. E, consequentemente, a água dela foi ficando mais salina… Assim, micro-organismos encontraram o ambiente ideal para crescer e se proliferar, já que muitos deles não conseguiriam sobreviver em locais com drenagem ou pH mais neutro – leia aqui sobre o pH da Laguna Amarga. ;)

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Fonte: próprio Parque Nacional Torres del Paine. Ambos os ambientes das fotos podem ser vistos nas entradas dos parques. Fique atento!

Em tempo: lago tem água doce e lagoa, salgada!

O que é o gosto amargo

IMG_3173Essa, da foto, é a Laguna Amarga. Ela fica no considerado parque mais lindo da América do Sul: o Parque Nacional Torres del Paine (Chile). Como uma boa curiosa, advinha qual foi a minha ideia quando vi esse lugar divino? Não, não foi me jogar na água – que deveria ter menos de 5 ºC. Foi prová-la! Isso, mesmo prová-la! Sabe do que ela tem gosto? De bicarbonato de sódio!

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Como você deve ter percebido, viajar para mim é muito mais do que apenas “checar” o lugar bonito e tirar uma foto nele dizendo que estive lá. Eu gosto de entendê-lo e aproveitá-lo em tudo o que o for possível. O maridão e eu estávamos nos despedindo do parque quando paramos para tirar a foto acima em frente ao maciço Paine que dá nome ao parque, aquelas três belíssimas torres lá trás – depois, farei um post sobre essa geologia. O mapa do parque apontava esta como sendo a Laguna Amarga. AMARGA. Eu sabia que todas as águas do parque são potáveis, mas, como alguns lagos têm peixes, recomendo beber as águas das fontes ou dos rios para evitar um piriri.

Perguntei para o maridão: “Vamos provar a água da Laguna?” “Sério, mesmo?”, ele retrucou. Claro! Depois de muito sorrir para ele, se disponibilizou a colocar a mão na água friiiia para encher a garrafinha. Acho que bebi primeiro. Pouquinho. Ele bebeu: “Nossa, que água salgada!” Eu, de novo: “Humm, gosto de bicabornato de sódio”. Por que será?

Ah, rá! Graças ao pH da água! O pH varia de ácido, neutro e básico. Ele varia de 0 até 14, quanto maior o número mais básico (ou amargo) ele será. Por exemplo, o suco de limão tem pH 2 (ácido de baterias, 0). O cloro que usamos para limpar a casa tem 14. O bicabornato de sódio, 9. E a Laguna Amarga… 9.1! Não é divertido? Seu pH deu o nome à lagoa! Ah, por curiosidade, o pH da água “normal” é 7.

Viu como podemos aprender ciência em uma bela viagem? A sigla pH significa Potencial Hidrogeniônico, diretamente relacionado com a quantidade de íons de hidrogênio de uma solução. Quanto menor o pH de uma substância, maior a concentração de íons H+ e menor a concentração de íons OH-. Ou seja, o pH é um indicador.

Quer saber se tivemos dor de barriga? Não!

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Dica de viagem: Da Laguna Amarga e da Laguna Azul (andando mais para frente na estrada de terra, foto logo acima), dá para ver direitinho as três famosas torres que dão nome ao parque. Ambas ficam distantes das principais atrações, acho que cerca de 20 quilômetros para frente, então, se estiver de carro, certifique-se de que tem combustível. Aliás, se for à Torres del Paine de carro, leve tanque extra e planeje as trilhas de maneira que não tenha que circular à toa.

Onde nascem as águas

 

Em tempos de águas de março, saiba que o líquido que sai transparente da torneira da sua residência desceu muita serra. Haja corredeira! A dica é de uma exposição permanente do Parque Estadual de Campos do Jordão, vulgo Horto Florestal, localizado na linda Serra da Mantiqueira. Segundo o parque, “mantiqueira” significa “lugar onde nascem as águas” em tupi – as mina pira na semiótica. A água que passarinho bebe em algumas cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais é proveniente da Serra da Mantiqueira, da Cantareira e do Mar.

No caso da Serra da Mantiqueira, seus riachos, ribeirões e rios têm leitos pedregosos quase sempre com corredeiras. Geralmente, essas águas são frias, límpidas, oxigenadas e rasas. E são diversas, mais belas que o rio que corre pela minha aldeia. Em apenas quatro horas dentro do Horto Florestal, encontrei muita água além daquela que veio do céu: visitei a cachoeira do Galharada e fiz uma breve caminhada ao lado do rio Sapucaí-Guaçu, que corta o parque. Recomendo a visita.

Já o nome Serra da Cantareira não tem origem indígena, mas também remete ao precioso líquido. De acordo com o Parque Estadual Serra da Cantareira – outra dica de passeio incrível e, o melhor, não é preciso nem sair da cidade de São Paulo para conhecê-lo – “o nome ‘Cantareira’ foi adotado por conta da grande presença de tropeiros entre os séculos XVI e XVII que guardavam seus cântaros [vasos] de água em móveis chamados ‘cantareiras‘”. Essa água, como é de se imaginar, era retirada da respectiva serra.

Sempre gosto de saber a proveniência dos produtos e alimentos consumidos por mim. É uma maneira de entrar em contato com a terra – e com a Terra. De voltar às origens. De estabelecer uma ligação com aquilo aparentemente tão distante. Ai, ai. Neste momento, sorrio observando a linda Serra da Cantareira da janela da minha sala. Ainda bem que está aí emoldurando a paisagem.

Obs.: A foto tirei do Pico do Itapeva com cerca de 2 mil metros de altitude. De lá de cima, é possível ver várias cidades no planalto como Tremembé, Aparecida, Taubaté, Pindamonhangaba e São José dos Campos e, mais ao fundo, a Serra do Mar. <3

Mergulhando nas águas do vulcão

Ok, título exagerado. A foto acima é do Baños Colina, uma terma de águas que hoje chegam até 60 ºC de temperatura. Ao fundo, como disse nesse post, está o vulcão San José, com suas lavas responsáveis pela água muito quente. Arde a pele mergulhar o pé na piscina mais ao alto – a temperatura diminuía conforme a água corria para as piscinas localizadas mais abaixo. Só vi uma pessoa entrando com o corpo todo na água quentona. Apesar do calor da terma, nosso guia pareceu chateado quando soube qual era a temperatura.

Ele, que há 40 anos nasceu nessa região chilena chamada Cajón del Maipo, acompanha as mudanças do local. São várias, claro. Algumas boas, outras a agregação de valor depende do ponto de vista, sendo sutil a referente às termas. O guia disse que, antes, a temperatura da água chegava até 72 ºC. Existia uma gruta por onde a água brotava e escorria morro abaixo. Quando mais novo, ele contou que gostava de entrar nessa água durante as noites – quase sempre frias.

 

Não sei quando a gruta foi demolida. Construíram essas piscinas sendo cobrada uma entrada – não lembro mais quanto – lá em baixo como pedágio na própria estrada de terra. Devido à distância dos povoados e de outros pontos turísticos mais marcantes, quem mais frequenta as termas são os próprios chilenos. Alguns acampam. Outros fazem churrascos improvisados. Tem até vestiário com chuveiro de água aquecida com o calor da própria piscina mais quente – isso é ecologicamente inteligente (canos dentro da piscina na foto ao lado).

 

Eu queria ter visto como era a gruta. Tive que me contentar em mergulhar naquela água repleta de gesso – o que foi uma experiência única! Você sai branco, “quebrando” e com um cheiro parecido de enxofre. O revestimento das piscinas improvisadas parece um gesso mole, arenoso e denso. Uma indicação de que lá há a matéria-prima para ser explorada. Será que essas termas correm riscos de desaparecer?

Um saboroso aquário em São Paulo


Hoje, depois de dormir mais de dez horas, acordei cedo e – já que… – aproveitei o domingão para ir à feira! Mas não qualquer uma: para a Feira de Produtos Orgânicos do Parque da Água Branca. Recomendo. Os produtos naturebas e hortaliças são mais carinhos, mas, mais saborosos. A Laura do blog “Comer Comer” fez um post bacana e ilustrado sobre o lugar – leia aqui. Sempre que possível, prefiro esse tipo de alimento, já basta respirar poluição o dia todo.

Carregada com as compras, não aguentei a curiosidade. O Parque da Água Branca possui várias atrações, além dos “bichos da fazenda” soltos pelo lugar como a pavoa deixando seus ovos sozinhos para bicar os pintinhos da galinha. Entre elas, estão os museus e um aquário. Aquário, eis a palavra mágica. Nem preciso dizer que adoro o ambiente aquático em geral. Resolvi conhecer.

Paguei dois reais pela entrada inteira, girei a catraca como solicitado e a luz já diminuiu. Em minha frente, apareceu um corredor lotado de gente empolgada com os bichinhos e de espécies separadas em pequenos aquários dispostos em ambos os lados. O local é simples, não espere um ambiente sofisticado como o Aquário de São Paulo. O que não deixa de ser bacana. Aliás, foi uma viagem para minha infância, quando frequentava museus e parques públicos de apresentação simples.O aquário é mantido pelo Instituto de Pesca do estado de São Paulo. Lá, todos os peixes são de água doce e usados na alimentação. A maioria é natural da Bacia do Paraná, onde está localizado o estado, mas há também indivíduos do Norte como o gigante – e fofo – Pirarucu e de outros países como bagres. Os peixes estão dispostos, praticamente, em apenas dois corredores e os aquários, na altura dos olhos de um adulto. Próximos à saída, estão os simpáticos – e com feição de sábios – sapos.

Vale a visita! Os peixinhos parecem ser bem tratados, apesar de algumas espécies se espremerem em um aquário muito pequeno. Bom, independente do tamanho do expositor, as crianças piravam ao ver os peixes. Quanto mais estranhos – como a Tilápia – ou maiores – Pacu – mais a criançada se divertia. Baixinho entre nós: os adultos também… Agora, um detalhe, quando conhecer o aquário não deixe de ler as placas com as informações sobre as espécies! São uma atração à parte.

Em Bonito (MS), realmente como vende a propaganda, me senti dentro de um aquário natural ao praticar flutuação nos rios da região. É bonito de mais – piada besta. Fiquei encantada pela vida fluvial, pelos peixes em busca de alimentos nas pedrinhas ao fundo, pelas plantas se movendo lentamente, etc. Terminado o passeio, perguntaram: “Depois de ver os peixinhos ‘pastando’, dá dó comer peixe, né?”.

 

“Não”, respondi. Poxa, nunca vi uma infinidade de peixe carnudo de tudo quanto é tipo… São “gracinhas” – não preciso dizer que amo e defendo a proteção dos animais aquáticos, certo? – , mas deliciosos. Parece que a mesma água na boca sentiu a pessoa que escreveu as informações sobre as espécies do aquário do Parque da Água Branca. Só faltou dar a receita completa, porque em vários casos estava escrito algo como, “ele é muito saboroso frito” ou “fica gostoso assado” (clique na imagem da placa para aumentar). Sério. Às vezes, a placa indicava até a bebida de acompanhamento. Tudo depois de uma breve explicação sobre a biologia ou ecologia do peixe. Imperdível.

Obs.: Obrigada a minha tia e a meus pais que colheram no sítio dela mais hortaliças orgânicas! Esta semana será recheada de salada e de frutas, bora comer para não estragar.

Como captar água doce em plena ilha

Existe um lugar paradisíaco indescritível chamado Cayo de Agua – sugestão: dê um Google Imagens. É fantástico tanto em cima da água (foto) quanto em baixo (veja o vídeo aqui, sim, sou a pessoa de blusa branca). Fica lá em Los Roques. Num desses bate-papos informais com os marinheiros do barco que nos levou à Cayo de Agua, descobri o porquê do nome. E, em outra conversa com a camareira da pousada, encontrei a “fonte” da água doce usada no arquipélago.

 

A curiosidade me move – andando por Cayo de Agua para explorar o local até pisei num daqueles espinhos de mato. Como já disse por aqui, antes de colocar o pé na estrada sempre dou uma pesquisada sobre o local. Quando fomos a Los Roques, não havia muita informação confiável na internet. Todas as minhas indagações fiz aos moradores. “Você é uma jornalista nata”, diz meu marido. Por onde passo busco conhecer as “estórias” locais. O barqueiro, por exemplo, disse que antigamente as pessoas retiravam em Cayo de Agua a água doce usada para sobreviver – rá, daí o nome.

 

Segundo o marinheiro, aquela é a única ilha que possui fonte de água doce – localizada atrás da duna ao fundo da foto. Ele também disse que ninguém sabe explicar sua proveniência, ou seja, como ela brota por lá, no meio do nada, no meio do mar. Mistério… Agora, e o trabalho que era pegar essa doce água?

 

A maioria dos moradores vive em Gran Roque, a ilha principal. Ela fica cerca de 1h30 de distância em lancha rápida de Cayo de Agua. Imagine você enchendo seu barquinho de baldinhos e atravessando o mar tendo que desviar de ilhas e bancos de areia, perderia ao menos metade do dia na jornada. Sem contar que, no meio do caminho, a doce água poderia se misturar com a do mar devido ao balanço das ondas. Uma tragédia.

 

A solução mais prática atualmente encontrada foi a dessalinização da água do mar: toda a água doce usada por todos provém dessa tecnologia. Claro que muitas vezes a água acaba na ilha – passamos por esse evento desagradável. Assim, é de se imaginar o chuveiro de lá completamente diferente do nosso, um pinga-pinga. Eles realmente sentem o que é viver sem esse bem essencial. Tanto que uma das primeiras recomendações, entre as recepções e as explicações, feitas para nós pela gerente da pousada foi: economize água.

 

Eles sabem a falta que a água faz.

Por que São Paulo alaga?

Terça-feira, 13:40h, dia 8. Saio da Zona Norte em direção ao Jaguaré. Para quem não conhece São Paulo, saiba que esse trajeto pela Marginal Tietê possui 11,5 km. Estava chovendo. De manhã, acordei com o barulho do aguaceiro. Até aí, ok. Após o agradável feriado de sol, banquinho e violão em um sítio, decido pegar a famosa marginal para ir trabalhar.
Quando cheguei na via e observei o rio que, apesar de imundo, adoro paquerá-lo… Ele estava na altura dos carros! Fiquei chocada e com medo. Compare a foto ao lado com a deste link. Olhava para o céu. Torcia para as nuvens se afastarem. No rádio, os locutores avisavam: a prefeitura está em estado de alerta. Evitem a Tietê.
Não sei quantos metros o rio subiu. Mais de dez? Além disso, ele corria rápido. Não fedia muito, acredito que por causa da chuva. A água deve ter desconcentrado a poluição. Enquanto motoristas de carros brigavam com caminhoneiros, motoqueiros passavam buzinando ao nosso lado, a chuva resolveu cair novamente.
Todos se viraram para o rio. Saí da pista da esquerda para a “esquerdinha” – ao lado da última. Vai que o Tietê continue subindo? De salto alto, me preparava para abandonar o navio, quer dizer, o carro. Quando, mais uma vez e de vez, o trânsito pára. Fiquei QUATRO horas “estacionada” na marginal. QUATRO horas!
Descobri que sou calma. Para passar o tempo, observava os motoristas e os passageiros entre a chuva conversar do lado de fora dos carros. Arrumava os dados do meu celular. Ouvia o desespero nas rádios. Foi assim que, duas horas depois, descobri o porquê do trânsito parado. A Marginal Pinheiros alagou.
A Tietê se encontra a Pinheiros após o Cebolão. Cebolão igual a um monte de viaduto passando para tudo quanto é lado formando uma espécie de cebola gigante. No final do viaduto, só carros grandes atravessavam a enchente. Nem caminhoneiros se arriscavam.
Perguntei para o guarda de trânsito, após um carro popular como o meu empacar no meio da água: “Meu carro passa?” “Basta não parar de acelerar”. Não tive nem coragem de trocar a marcha, como fiz outras vezes.
Esperei na margem do alagamento, com uma picape atrás de mim ansiosa para sua vez, todos os carros saírem da água. Menos o atolado, claro. Pisei fundo na primeira e fui com a marola passando a altura do carro! Aquela água marrom-clara. Consegui! Consegui! Fiquei eufórica até parar no outro trânsito, no da Marginal Pinheiros. E, logo em seguida, chegar para trabalhar.
Agora, respondendo resumidamente à pergunta do título. A umidade do Norte do país forma nuvens. Estas, com as correntes marítimas, são empurradas para o Sudeste e parte do Sul. Chegam aqui e caem em forma de chuva.
São Paulo é uma cidade cortada por muitos, mas muitos rios, riachos, córregos e tudo quanto era água. A Ladeira Porto Geral, ao lado da conhecida 25 de Março, se chama assim porque lá existia um porto.
Daí, as pessoas foram construindo casas em volta dos rios e afins. As ruas foram colocadas em torno deles ou em cima – isso mesmo – deles. Parte foi canalizado. Lagos foram cimentados. Margens foram encurtadas. Pântanos deram lugar a prédios de luxo.
Chove? Sim. E alaga. Agora, querem aumentar a Marginal Tietê. Fazer mais pistas. Impermeabilizar mais o solo. Li que só houve uma discussão pública sobre a reforma. O Ministério Público parou as obras. Não sou contra a “nova” Marginal. Mas, enquanto não respeitarmos a natureza, será ainda mais difícil nosso meio ambiente nos respeitar.

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