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Salto Morato: como são as pesquisas em reservas?

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Em plena tarde de quinta-feira, eu caminhava sob o chuvisco abafado da Mata Atlântica – “Atlântica”, o nome já entrega a umidade vinda do mar. Logo no início da trilha de terra bem marcada da Reserva Natural Salto Morato, mantida pela Fundação Boticário, em Guaraqueçaba, litoral do meu estado natal Paraná, passei pelo bem cuidado centro de visitantes – onde há explicações sobre os 2.253 belos hectares do local. No caminho de sapinhos do tamanho de uma unha, de flores azuladas, de escadas, de cordas presas às árvores, encontrei uma piscina natural transparente, sem correnteza e cheia de peixinhos que lembrava as belíssimas águas de Bonito, no Mato Grosso do Sul. Não imaginava que essa água era realmente igual à de uma piscina. E, muito menos, encontrar no fim da trilha uma cachoeira com mais de 100 metros de altura! Eu sabia que na reserva havia uma cachoeira, mas não imaginava que ela seria maior do que um prédio de 40 andares! Indescritível, sério – veja fotos da reserva no meu perfil do Istagram.

Agora, reparou que eu falei de escada e de cordas? Além das belezas naturais descritas acima, da possibilidade de encontrar onças, pumas e outras espécies selvagens, de ver uma figueira com mais de 350 anos que mais parece um prédio com apartamentos para todas as plantas e animais, na reserva, se você tiver sorte, pode ver o homo sapiens em plena ação. Isso porque a Fundação financia diversos projetos, entre eles, de pesquisa realizados dentro da reserva. Se você prestar atenção, encontrará na floresta várias ferramentas usadas pelos pesquisadores. Para mim, a história mais fantástica é da bióloga que passa seis horas por dia sentada distante mais de 10 metros do chão, praticamente sem se mexer. Uma primata (pena que não achei uma foto da escada, abaixo está uma foto da raiz da palmeira).

palmito

Entre outras, a moça está pesquisando a polinização feita por insetos da nativa palmeira-juçara, aquela que é cortada para comermos o seu macio palmito. Ela passa seis horas de calor por dia sob os raios do sol sentada próxima à copa da árvore, com um cinto de segurança. A calma pesquisadora fica de butuca esperando os insetos chegarem próximos a um galho dos frutos da palmeira (sim, essa espécie também tem um delicioso fruto do qual pode ser feita a poupa parecida com a do açaí). Aí, rá! Emoção! Lá vai ela marcar no bloquinho que mais um inseto da espécie “x” se alimentou da planta. Em alguns casos, a jovem pesquisadora coleta um para levar ao laboratório. E, assim, a moça passa dias, meses e ano. Intercala as horas em laboratório com esse trabalho de campo para, em breve, nos dar uma pista de como preservarmos a esbelta palmeira em risco de extinção.

Se você avistar algumas cordas que vão da copa das árvores até o chão, não se espante. Esse é o instrumento que um pesquisador usa para estudar os morceguinhos. Ele utiliza a corda para pegar esses bonitinhos mamíferos e entender mais sobre eles – se não me engano, a reserva tem 36 espécies de morcegos. Aliás, eu sempre quis ver como são aquelas câmeras que tiram fotos dos animais durante a calada da noite. Tchan-nan! Veja abaixo! Fizemos uma trilha de dois quilômetros (ida e volta) usada por pesquisadores que checam essas câmeras. Não é o máximo da nerdisse?

Não precisa dizer que eu adorei. A viagem uniu tudo o que eu amo: natureza, ciência e boa companhia. Neste caso, meus novos amigos não virtuais como a Karlla, a Daiane, o Onofre, o Rodrigo (este eu já conhecia da antiga Rede Ecoblogs da qual fazíamos parte) e o pessoal que nos convidou. Aliás, a viagem foi um convite da Fundação Boticário. Em tempo: várias novas espécies já foram descobertas dentro da reserva, entre elas, duas de peixes. <3 A entrada na reserva custa sete reais inteira e, para acampar, sai dez reais por pessoa. O camping é uma belezinha.

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Obs.: Todas as fotos fui eu quem tirei. Se quiser usar, entre em contato por favor.