Arquivo da tag: Brasil

Dia Mundial da Água: o que você está fazendo com ela?

Hoje é o Dia Mundial da Água. Vale lembrar que o Brasil tem a maior reserva de água doce disponível do mundo, o que corresponde a 12% da água doce líquida do planeta. O país tem os maiores aquíferos, o maior rio, o Amazonas, e um litoral de mais de 8 mil quilômetros. Será que valorizamos e manejamos sustentavelmente toda essa oferta? Um estudo coordenado pelo analista ambiental Rafael Magris, do ICMbio, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, em parceria com universidades internacionais e patrocinado pelo CNPq, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, mostrou que os sedimentos contaminados do desastre da barragem que rompeu em Mariana, em 2015 em Minas Gerais, atingiram o Rio Doce, o Arquipélago de Abrolhos, na Bahia, o Espírito Santo e bancos de algas calcárias da região. A intensidade dos impactos da destruição diminuirá, mas a área total de ecossistemas em risco ou afetados tende a aumentar com o passar do tempo, segundo a pesquisa. São mananciais e litorais contaminados por substâncias químicas nocivas para nossa saúde como metais pesados. O que prejudica ou inviabiliza o uso dessas águas. Temos que colocar em prática no Brasil o hábito de planejar o modo que empregamos os nossos recursos naturais, inclusive analisando e evitando os riscos dessas atividades.  

IMG_20190306_085146175_HDRAgora, após a tragédia de Brumadinho, a Agência Nacional de Mineração publicou uma resolução determinando o fim de todas as barragens do tipo “a montante”, como as duas que romperam em Minas Gerais.

A poluição do ar está acima dos padrões da OMS

Olá! Bom dia! Pare e respire fundo… Você sabe o que tem nesse ar que respira? O IEMA, Instituto de Energia e Meio Ambiente, lançou a plataforma da qualidade do ar que reúne dados do monitoramento feito em todo o Brasil e também indica as ultrapassagens das recomendações feitas pela ONU. Dos 27 estados brasileiros, apenas nove realizam o monitoramento da qualidade do ar. São eles: Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Distrito Federal. Nesses locais, os poluentes material particulado fino e o ozônio seguem em alta. O material particulado fino é um dos maiores responsáveis por doenças respiratórias e cardiovasculares no mundo. Ele é emitido pela queima de combustíveis e formado lá na atmosfera a partir de reações químicas. Já o ozônio pode ser causador de doenças pulmonares e a asma. Ele aparece nos dias ensolarados a partir da reação química de outros poluentes. A concentração dele no Parque do Ibirapuera, por exemplo, chegou a ser o dobro do que a OMS recomenda. Mas uma notícia boa: a maioria dos poluentes apresenta uma tendência clara de queda. Isso graças a programas como o de controle veicular (Proconve) que regulamenta a tecnologia dos motores e a qualidade dos combustíveis. O negócio é olharmos para aquilo que a gente não vê.

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Como levar energia elétrica para comunidades na floresta

Até o fim deste ano de 2019, o ISA, Instituto Socioambiental, e a Associação Terra Indígena Xingu  em parceria com o Instituto de Energia e Ambiente da USP vão levar sistemas de energia solar para 55 escolas, 22 postos de saúde e para mais 12 pontos comunitários da Amazônia. O projeto Energia Limpa no Xingu pretende se tornar uma referência em soluções de energia renovável e descentralizada em comunidades isoladas. Cerca de 760 mil brasileiros dependem dos sistemas desconectados daqueles fios de transmissão do Sistema Interligado Nacional. Aliás, até Boa Vista, capital de Roraima, usa sistema independente de geração de energia. Muitas comunidades isoladas da Amazônia, por exemplo, contam com geradores a diesel. Mas geradores a diesel são barulhentos, dão muita manutenção e custam caro para o bolso dos contribuintes e para o meio ambiente por serem extremamente poluidores. Usar torres de energia solar é uma alternativa. Energia solar tem um custo alto na instalação, mas compensa economicamente e ambientalmente ao longo do uso. O IEMA Instituto de Energia e Meio Ambiente está analisando os impactos do projeto piloto dessa instalação. Ao que parece, todas e todos sairemos ganhando.

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo. Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: IEMA

Tem um parque perto de você, talvez você nem saiba

Hoje, trago uma boa notícia no estilo: “antes tarde do que nunca”. O Ministério do Meio Ambiente lançou nestas férias o aplicativo para celular chamado Parques do Brasil. Ele ainda está na versão beta. O aplicativo traz fotos das unidades de conservação, as atividades e as atrações de cada uma delas. Também mostra as unidades de conservação que estão mais perto de você. As unidades de conservação são áreas naturais criadas e que deveriam ser protegidas pelo Poder Público. Duas conhecidas são: o maravilhoso Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e o Parque Nacional do Iguaçu, uma das sete maravilhas do mundo. O Brasil tem atualmente mais de 2200 unidades de conservação. E parte delas, aliás, está em risco. Segundo um recente relatório do Imazon, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, o desmatamento em unidades de conservação da Amazônia em relação ao total da floresta quase dobrou em dez anos: passou de 7%, em 2008, para 13%, em 2017. Por isso, precisamos estar por perto do que é nosso para preservar e curtir este país bonito por natureza.

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: Fernando de Noronha/ Isis Diniz

Museu Nacional pega fogo. Fim.

Minha filha, infelizmente, não conhecerá o Museu Nacional do Rio de Janeiro como eu o visitei na minha infância. Aliás, esse era um grande sonho que vou ter que dormir com ele. Acabar o domingo com esse fim.

WhatsApp Image 2018-09-02 at 22.41.26O Museu Nacional,  vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, era a mais antiga instituição científica do Brasil. Um dos principais museus da América Latina, quiçá o mais relevante. Simplesmente, isso. As chamas levaram embora a nossa história brasileira e parte do passado da Terra.

Para se ter uma ideia da sua importância, a Luzia, o esqueleto mais antigo das Américas, estava lá. Durante a sabatina que fiz ao Walter Neves, pesquisador que descobriu a importância desse achado, perguntei para ele: “Posso ver a Luzia”? Ele sorriu: “Ela não fica exposta ao público, esta lá no Rio de Janeiro. Quando for para lá, quem sabe?”

E eu estive, em agosto, no Rio de Janeiro. No estado. Por motivos pessoais, não fui até a capital. Que pena. Era a chance da minha filha ter conhecido o Museu Nacional. Mas ela não verá o Museu Nacional que eu vi.

A importância do Museu Nacional
Fui algumas vezes ao meu Museu Preferido, principalmente, antes de cursar faculdade. Mas uma dessas vezes, quando eu tinha cerca de 14 ou 16 anos, foi inesquecível. Quando me dei conta da sua imponência (pausa para as lágrimas).

Estava com meus pais e meu irmão. Acho que minha madrinha foi junto. Passamos um dia todo no museu – quem dera se pudéssemos ficar a noite para ver tudo “acordar”.

Lembro como se fosse ontem dos sarcófagos e múmias egípcias que Dom Pedro II trouxe. Algumas delas foram mumificadas de um modo único, sendo um dos poucos exemplares do mundo.

Também vi algumas múmias encontradas nos Andes. Perfeitas, pareciam até que estavam vivas! Tinha cílios, roupas, cabelo comprido. Impressionante.

Tive a oportunidade de contemplar por minutos que pareciam a eternidade o maior meteorito encontrado no Brasil. E, o melhor, com explicações sobre ele dadas por um geólogo, meu pai.

Entre tanta beleza, outro item me chocou: o descaso. No ambiente onde estavam as múmias, haviam goteiras. Fungos na parede. Mofo! Muita umidade. Abandono. Itens mal cuidados. Fazem 20 anos isso. Tragédia anunciada.

Tenho certeza que o descaso não partia dos funcionários e nem dos pesquisadores. Muito menos dos frequentadores que se admiravam. Nem dos moradores orgulhosos com tanta preciosidade numa cidade tão maravilhosa. O Museu Nacional não passava vergonha frente ao Museu de História Natural de Nova York.  Não é ufanismo.

Pelo celular, vi queimar a minha infância. O nosso passado. A história de todos os habitantes do planeta água. Desde que comecei a namorar meu marido, o Gustavo, eu dizia que um dia o levaria ao Museu Nacional. Ele ia amar.

Mas, infelizmente, o Gustavo não terá essa oportunidade. Nunca saberá o que era o Museu Nacional. E nem minha filha. Desculpe, meu amor. Gostaria de deixar um país melhor para você. Ficaremos com as palavras.

Pesquisa pode ajudar na criação de remédios para combater Chagas

Foi publicada na revista internacional de renome, a PLoS Neglected Tropical Diseases, uma recente pesquisa feita por brasileiros sobre a Doença de Chagas – clique aqui para ler. Esta não tem cura e é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Quando o inseto barbeiro pica uma pessoa, suas fezes podem conter o protozoário. Ao coçar a região, a pessoa pode se infectar. Saiba mais sobre a descoberta na entrevista feita com Marcus Fernandes de Oliveira, professor associado do Instituto de Bioquimica Medica Leopoldo de Meis da Universidade Federal do Rio de Janeiro, chefe do Laboratório de Bioquímica de Resposta ao Estresse. Na foto, Caroline Ferreira, primeira autora do trabalho, e o pesquisador.

pesquisaxisxis1. A Doença de Chagas não tem cura. O que as pessoas devem fazer para evitar a contaminação?
Além de não ter cura quando não diagnosticada pouco tempo após a infecção, o tratamento da doença de Chagas ocasiona diversos efeitos colaterais. A única forma de se evitar a contaminação é por meio do controle do inseto vetor. Ao identificar um inseto semelhante a um barbeiro, não se deve esmagá-lo, pois isso pode favorecer o contato dos parasitos com o ambiente. O recomendado é que o inseto seja coletado com muita cautela, utilizando luvas e saco plásticos e levados até um posto do SUS para análise.

2. Atualmente, apenas trata-se os sintomas, correto?
Se diagnosticado durante a fase aguda, ou seja, durante a primeira fase da doença, o indivíduo pode ser curado. Entretanto, essa fase dura cerca de três meses e o paciente raramente apresenta sintomas, o que dificulta o diagnóstico. Após esse período, o indivíduo infectado passa a uma fase crônica da doença, que não tem cura. Nesse caso, os pacientes são tratados com drogas utilizadas para diminuir a população de Trypanosoma cruzi, que não é eliminada totalmente. Além disso, é necessário sim tratar os sintomas da doença, que na fase crônica consistem em disfunções digestivas ou cardíacas e podem levar à morte.

3. Por que é tão difícil encontrar uma maneira de eliminar a doença? Seja por vacina ou por outros meios biológicos, por exemplo?
São muitos os fatores que dificultam a descoberta de novos agentes de tratamento, entretanto, o principal deles é a falta de investimentos na pesquisa dessa doença. Por atingir principalmente a população de baixa renda, infelizmente, a doença de Chagas não representa um “mercado lucrativo” para os grandes investidores. Dessa forma, muitas pesquisas básicas são realizadas e encontram fármacos e moléculas-alvo que poderiam ser testadas como tratamentos alternativos, porém, as pesquisas raramente chegam à fase clínica devido ao grande investimento financeiro requerido neste sentido. Por isto, a Doença de Chagas, assim como inúmeras outras como dengue, leishmaniose e esquistossomose, são conhecidas por Doenças Tropicais Negligenciadas. Além disso, o T. cruzi é um parasito muito complexo e com uma capacidade enorme de mudar sua composição e estrutura, apresenta várias fases de desenvolvimento, com diferentes moléculas de superfície, habitat e metabolismo o que dificulta enormemente o desenvolvimento e a eficácia de drogas e vacinas. Soma-se a isto as reduções drásticas no financiamento a P&D que vem ocorrendo desde 2014 no Brasil.

4. Vocês descreveram a importância de um mecanismo bioquímico essencial para a transmissão da Doença de Chagas. Que mecanismo é esse?
O artigo publicado na revista PLoS Neglected Tropical Diseases representa o trabalho de graduação, mestrado e parte do doutorado da aluna Caroline Ferreira, que oriento desde 2010. Caroline atualmente vem realizando seu doutoramento no curso de pós graduação em Química Biológica do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis da UFRJ. Caroline descobriu que, ao ingerirem o sangue do hospedeiro, o barbeiro libera produtos tóxicos no interior do intestino como parte do processo de digestão do sangue. Na natureza, os insetos tem a capacidade engenhosa de cristalizar esses produtos em pedrinhas minúsculas que o inseto elimina nas fezes. Com isto, a cristalização destes produtos tóxicos impede que estes causem danos às células. Nosso trabalho demonstrou que esse mecanismo de cristalização desses produtos tóxicos permite não só que o inseto se reproduza, mas também seja capaz de transmitir o T. cruzi. Quando impedimos essa cristalização, por meio do uso de uma droga bem conhecida, a quinidina, há dano tecidual no interior do inseto que também prejudica os parasitos, que acabam morrendo antes de serem transmitidos.

5. Qual a importância da descoberta? Como ela pode ser usada para evitar a contaminação ou até tratar a doença?
Nossa descoberta descreveu a importância do mecanismo de cristalização desses produtos tóxicos, porém ainda há outros estudos a serem feitos antes de podermos utilizá-la como alternativa ao controle da doença de Chagas. Creio que o ponto mais importante do trabalho é demonstrar que o bloqueio da cristalização de produtos tóxicos serve como uma excelente plataforma para desenvolvimento de drogas que vão interferir ao mesmo tempo na reprodução do inseto vetor e na sua capacidade de transmissão do T. cruzi, amplificando a possibilidade de controle da Doença de Chagas.

6. Quais são os próximos passos agora do trabalho? Em que direção devem seguir?
O que temos que fazer daqui pra frente é testar novas drogas no laboratório e analisar as possibilidades reais disso ser utilizado na natureza. Estamos otimistas e, encontrando resultados positivos, devemos buscar novos meios de se introduzir esses fármacos como “isca” para os barbeiros, a fim de diminuir a transmissão da doença. Além disso, precisamos encontrar parceiros na academia e fora dela, que se interessem pela esta possibilidade, e eventualmente financiar estudos subsequentes. Mas a primeira coisa a se fazer é conscientizar a população de que a doença de Chagas é perigosa e que a população residente nas maiores áreas de risco é a que menos sabe sobre barbeiros e T. cruzi. São necessários novos tratamentos e vacinas mas, antes de tudo, é necessário que a população entenda que este tipo de inseto transmite uma doença grave, que as fezes contém parasitos que podem levar à morte e que devem tomar todos os cuidados necessários.

Dia Mundial dos Oceanos: Qual a sensação de praticar mergulho

Posso fazer aqui uma declaração de amor?

Imagine um mar que parece gelatina. De cima do barco, dá para ver o fundo dele a mais de quarenta metros abaixo de você. Ainda da embarcação, os cardumes de peixes que brilham como neon nadam lateralmente. Parecem nos olhar. Quando me jogo nessa água quentinha (como não se atirar?) ouço o barulho dos corais. Sim, eles estalam! Vejo um tubarão-lixa bebê, arraias, tartarugas tão lesadas como aquelas do filme “Procurando Nemo”, polvo assustado, moreias maiores que eu e muitos peixes coloridos de diversas formas. Corais de todas as cores, esponjas, uma água transparente e uma areia macia.

mergulhonoronha

Eu já havia praticado snorkeling no  litoral brasileiro, pelo que me lembre, em São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bonito (MS) – este merece um post à parte. Mas nunca havia visto nada como Fernando de Noronha, da descrição acima. Após me entregar para aquela água, minha vida mudou. Quando mergulhei de cilindro lá, então, entendi a paz que o mar nos traz.

Eu estava com medo de saltar na água com presos pesos à minha cintura e com aquele cilindro que deveria pesar mais que eu. Por sorte, estava com o instrutor mais paciente e carinhoso do grupo. Certamente ele pensou: “Essa vai dar trabalho”. Tremendo, não sei se de frio ou nervoso, começamos a afundar.

Quando cheguei a mais de dez metros de profundidade (sem precisar subir para pegar ar, como teria que fazer com o snorkel) ao mar eu tinha certeza que pertencia. Era relativamente silencioso. Ouvia mais forte apenas minha respiração. Tudo azul. Senti uma paz que só havia atingido meditando.

Brinquei de “fechar” corais. Observei os animais marinhos. Me senti de volta ao útero. Acolhida. Estava muito feliz e plena. Ficamos cerca de meia hora abaixo da água, explorando aquele mundo maravilhoso, mas parecia apenas cinco minutos quando já era para voltarmos.

Eu não quis. Comecei a fugir do instrutor. Como se tivesse a capacidade de deslizar como um tubarão cheia daqueles penduricalhos presos ao meu corpo. O instrutor nadou atrás de mim e falou que não tinha jeito, precisávamos subir. Deu a entender que o ar poderia acabar. Começou a inflar minhas boias.

Relutei em voltar à superfície tentando argumentar de baixo da água por língua de sinais de mergulho. Lamentei muito. Subi contrariada. Eles explicaram que aquilo que eu senti aconteceu devido ao excesso de oxigênio no meu cérebro. Que “dá barato” e a pessoa perde a noção de tempo e de perigo.

Não, meus amigos. Aquilo aconteceu devido ao excesso de mar em volta de mim.

#DiaMundialdosOceanos

DSC_9183

Baleias: elas voltaram!

IMG_8232Reparou que, no último mês, há mais notícias de baleias jubarte sendo avistadas na costa brasileira? Principalmente, vistas de passagem pelos estados da região Sudeste como São Paulo e Rio de Janeiro? Coincidência? Não (na foto, uma réplica de filhote de jubarte, no Projeto Baleia Jubarte, Bahia).

Nesta época, inverno, essa espécie de baleia (Megaptera novaeangliae) sobe o litoral brasileiro até a região da Bahia, onde parem seus belos e gigantes filhotes que nascem com quatro metros e pesam mais de uma tonelada! Lá, no divino estado brasuca, ficam até cerca de novembro amamentando a cria. Quando o filhotinho está mais rechonchudinho, ela volta para as águas frias do oceano em busca de alimento, o krill (um minúsculo camarão).

Devido à proteção delas, sua população está aumentando. Se você for para a Praia do Forte (Bahia), entre julho e outubro, poderá fazer um passeio de barco para avistar esses belos animais – eles ficam cerca de três quilômetros longe da costa. Duas dicas: faça o passeio com agências credenciadas pelo Projeto Baleia Jubarte e em qualquer época visite a organização.

O Projeto oferece visita monitorada no local explicando muita curiosidade sobre os cetáceos (animais dos quais ela faz parte) e há algumas réplicas fabulosas para crianças. É uma visita rápida, mas de intenso aprendizado.

Então, se você é daqueles que só gosta de praia no verão, repense. Se tiver sorte, pode ver maravilhosas baleias dando um “oi” com seus saltos (elas saltam para se livrar dos piolhos, eca) ou batendo suas caldas por aí (é por meio da calda que os pesquisadores sabem qual baleia é, o desenho é como uma impressão digital). Este ano, minha cunhada viu jubarte em São Sebastião. Eu bem que fiquei horas e dias fitando o mar, mas não tive a mesma sorte. Mas já observei pinguins no litoral de São Paulo e de Santa Catarina. <3

615317_10151227085393324_532873920_o

Aliás, outra informação rápida. As jubartes não são as únicas baleias que procuram o litoral do Brasil para procriar. A maravilhosa baleia-franca (Eubalaena australis), aquela cheia de cracas brancas, também sobe até Santa Catarina para ter seus filhotinhos nesta época do ano. E você também pode vê-las saltar sentado na areia (!) ou de barco (a foto acima e abaixo tirei de uma franca na África do Sul – se for para lá, tenho muitas dicas de passeio para parques).

539316_10151158474383324_1335786535_n

Por fim, última curiosidade: você sabe como as baleias e golfinhos dormem? O porquê deles não fecharem os olhos? Pois descobri lá no Projeto Baleia Jubarte. Os lados direito e esquerdo do cérebro desses animais são separados. Na hora do sono, eles “desligam” um dos lados, enquanto o outro mantém atividades básicas de sobrevivência como não deixar afundar. Incrível, né?

Bom, eu pretendo fazer mais aparições por aqui. Espero conseguir. A maternidade e a experiência do meu trabalho na Iniciativa Verde me trouxeram mais repertório e uma nova maneira de ver a vida. Um beijo desta amante dos cetáceos. Vamos falar baleiês!

Diversidade representada na 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres

Veja como foi o segundo dia da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (4aCNPM), contado pela Cládice Nóbile Diniz, delegada pelo Rio de Janeiro e relatora.

Hoje, fiquei para relatar um grupo que tratou das propostas de dois eixos: o de políticas públicas para as mulheres e o de sistema de políticas públicas para as mulheres. O primeiro tinha 88 propostas enviadas pelas conferências municipais e estaduais, sendo 32 a ter que se selecionar as dez mais prioritárias. O segundo tinha 30, onde se devia selecionar cinco. No eixo das políticas, eram propostas e as dez tiradas foram consideradas como desafios. No sistema nacional de políticas para mulheres, as seis propostas foram selecionadas como recomendações (as propostas e monções devem entrar no site do evento).

O ambiente no grupo foi muito rico. Vale ressaltar que um grupo de interesse somente tinha suas reivindicações compreendidas e acatadas se ao menos houvesse uma interessada presente. Por exemplo, as índias iam ficar com suas reivindicações encaminhadas em um “sacolão” geral, mas sendo informadas disso por uma militante negra, apareceram e passaram a atuar bem articuladas conseguindo garantir o que elas achavam o mais importante hoje: a demarcação das terras indígenas e quilombolas. Eram do Mato Grosso e denunciaram o assassinato no ano passado de um líder e a mutilação de outro, que ficou em cadeira de rodas.
WhatsApp-Image-20160512 (2)
Uma moça com um carrinho de bebê era uma presidiária em liberdade condicional que trazia reivindicações para as presidiárias e às em liberdade condicional. Curiosamente, no grupo havia uma liderança das agentes penitenciárias, sendo ela responsável por um grupo em liberdade condicional. Ela confirmou as denúncias da jovem, ratificando a necessidade de políticas afirmativas de proteção. Um caso que ambas comentaram como exemplo é o da necessidade de escolta de emergência de saúde para as presas que adoecem. A polícia não providencia e elas ficam sofrendo sem socorro.

Houve muitos outros casos interessantes relatados por outras mulheres (os homens que aparecem na foto estão trabalhando no evento). Aliás, essa foi a primeira conferência com representação das mulheres ciganas. Eram um grande grupo muito colorido, lindo. Na volta em frente ao hotel encontramos com os que vinham da manifestação. A tristeza e a desolação me lembraram as pinturas do Portinari.

Notícias da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres

*Abri espaço neste blog para que a Cládice Nóbile Diniz, delegada pelo Rio de Janeiro e relatora da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, dividisse conosco suas impressões e o que está acontecendo esta semana no respectivo evento em Brasília. Ah, se estranhou o sobrenome, sim, somos parentes. Ela é minha tia-madrinha <3. Vamos lá às novidades. 

A 4aCNPM foi decidida em março de 2015. É um evento que ocorre a cada quatro anos. Neste participam quase três mil mulheres eleitas em conferências estaduais. Fui eleita delegada pelo Rio de Janeiro e convidada para ser relatora. Aqui tudo é grandioso: uma relatora para grupo de 150 delegadas. Vinte grupos sobre quatro eixos. Vai ser um trabalho incrível!

Hoje foi fogo. Houve de tudo. Uma delegada do Rio eleita e aprovada foi barrada na última hora por que ia com o filho de quatro anos. Foram detidas 73 delegadas da Bahia porque elas tinham gritado no avião “não vai ter golpe”. Esta manifestação foi contra a deputada federal Eronildes Vasconcelos, a “Tia Eron “, e o Deputado Federal José Carlos Aleluia, ambos da Bahia. Foram liberadas depois de quatro horas quando o José Eduardo Cardozo, da Advocacia-Geral da União, e a secretária especial de Políticas para as Mulheres Eleonora Menicucci foram lá.

Chegaram pouco antes da fala da Dilma e foram ovacionadas e recebidas em pé e com palmas. O discurso da Dilma foi emocionante. Afirmou que vai honrar seus 54 milhões de eleitores, nunca tendo pensado em renunciar. A ministra Eleonora falou bonito também. Lembrou que, nas décadas de 60 e 70, as mulheres “vestiram calças” e saíram para trabalhar. Mas os homens não “vestiram saias” e não se ocuparam da parte do trabalho deles em suas casas.

A delegada pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes, avisou em plenária que a CPI da merenda tinha sido instalada e o auditório veio abaixo. As mulheres conseguiram aprovar a eliminação dos delegados homens após tensa disputa, com seis intervenções próss e outras tantas contra.

13151601_1001708636572133_4684450322512329687_n

4b007bc3-3650-4ffd-a993-2dcc0aaf0a53

Mãe e filho na roda do berimbau tocado só por mulheres