Documentário analisa o mundo capitalista em que vivemos

Está com vontade de ver um filme grátis sem sair de casa e, ainda de quebra, ganhar argumentos para uma visão mais crítica sobre o mundo capitalista em que vivemos? Indico o “The Corporation”, vencedor do prêmio de melhor documentário no Festival Sundance de Cinema.

Resumidamente, o documentário conta como as grandes empresas multinacionais que conhecemos hoje se formaram, qual a força política delas e mostra para onde devemos caminhar. Afinal, essa “cultura” de extrair as matérias-primas da natureza, utilizá-las e, em seguida, descartá-las poderá acelerar o fim do homo sapiens.

Abra a sua mente, prepare a pipoca e ajuste as nádegas no sofá porque o documentário tem quase 2h30 (com legenda em português):

Obs.: Enquanto eu via esse documentário, feito basicamente nos Estados Unidos, eu me perguntava, “será que no Brasil conseguiríamos produzir um documentário desses sem sofrermos represálias”? Pense nisso.

Cuidado: arqueólogos trabalhando

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Toda vez em que passo pela região do Largo de Pinheiros, próxima à estação Faria Lima do Metrô (na cidade de São Paulo), fico curiosa em saber o que tanto escavam atrás daquelas placas de proteção – coisas que só percebe quem anda a pé, e não de carro. Várias vezes vejo algumas pessoas com água na mão, mochila nas costas, chapéu de tecido bege ou capacete branco nos quais se leem a palavra: “Arqueologia”. Uniforme diferente dos macacões dos operários.

 

Há mais de um ano, lembro-me de ter lido que as obras atrasariam um pouco mais porque acharam algumas peças arqueológicas, mas as matérias sobre o assunto nunca diziam com detalhes que tipo de peças eram, em quais condições estavam ou quais as esperanças dos arqueólogos. Aliás, dizem as “más línguas” que a maioria das empresas envolvidas com obras do tipo não gosta quando encontra resquícios arqueológicos. Afinal, nestes casos, obrigatoriamente a obra deve parar para começar a pesquisa – leia aqui uma matéria bacana, da Pesquisa FAPESP, sobre escavações no porto do Rio de Janeiro.

 

DSC00740A curiosa de plantão, aqui, se delicia com essas pesquisas. Não é fantástico escavar um quintal e encontrar resquícios de alguém que viveu no mesmo lugar que você? Portanto, semana passada não resisti. Parei em frente a um dos locais que estavam sendo escavados e vi um rapaz com o capacete mágico escrito “Arqueologia”. Como uma típica conversa informal que antigamente travávamos na rua com desconhecidos, ação cada vez mais incomum, falei “olá” para o arqueólogo e perguntei: “Tudo bem? Olhe, estou super curiosa, já encontraram bastante peça interessante aí?”.

 

Gente boa, o arqueólogo contou que, em épocas de chuva, antigamente o rio Pinheiros chegava até aquela região – isso explica a areia preta, bem típica de rio e ótima para adubo, debaixo dos nossos pés (foto logo acima). Quase peguei um punhado para colocar nos vasos das minhas plantinhas! Como lá era uma área alagável, quase um pântano, algumas peças não sobreviveriam à umidade. Por enquanto, ele disse que encontraram fragmentos na casa do milhar (se não me engano, mais de 110 mil).

 

A maioria das peças, inclusive as mais inteiras, eles acreditam que sejam de cerca de 1890 e 1950. São louças como pratos, um até com a suástica nazista e tanques pintados (!), garrafas de leite antigas, entre outros. Segundo o arqueólogo, ainda é necessário analisar a idade de cada objeto encontrado para ter certeza e aferir mais informações. Eles também encontraram ossos de animais, ainda não se sabe ao certo qual animal e de que época. E descobriram que, em uma ruela, a galeria de esgoto é de 1950.

 

Eu adoraria ver as peças, mas conforme são encontradas, elas são encaminhadas para estudo, claro. Questionei o que farão, depois, com elas: “Acredito que serão realizadas mais pesquisas sobre elas e doadas a museus”. Aí, o grand finale: “Dizem que uma tribo indígena, lá pelos idos do ‘descobrimento do Brasil’, vivia bem aqui no local. Vocês já encontraram algo sobre ela?”. O olhar do arqueólogo encheu de brilho: “Nós estamos buscando, mas devido ao tipo de solo, não sabemos se haverá algo preservado”. Voltar ao passado é sonhar.

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Obs.: A obra de reforma da região começou em 2007 (!), saiba mais sobre o projeto nesta matéria publicada na Folha de S. Paulo. Ah (suspiro), essas escavações me lembraram de Roma. Quando estive lá, em 2007, a obra de extensão do Metrô estava parada porque eles encontraram mais resquícios dos antigos impérios. <3 Em Roma, eu também coloquei o cabeção sobre os tapumes para ver, claro! Aliás, até peguei um ônibus na área para observar as escavações do alto!

 

Veja pequeno documentário sobre a história da rua Augusta

Tenho um carinho muito grande pela rua Augusta, via da cidade de São Paulo, por vários motivos pessoais. Um deles diz respeito ao documentário “Augusta a 120/h”, realizado em 2003. Somado à monografia, o vídeo é o resultado do nosso – meu e de mais três amigas – trabalho de final de curso (faculdade de Jornalismo) quando, na ocasião, a cidade de São Paulo completava 450 anos. Foi a nossa homenagem para a querida Terra da Garoa.

 

Na época, o “Baixo Augusta” estava lotado de puteiros e “saunas”. Ratos passavam pelos nossos pés, mendigos nos ameaçavam, seguranças de portas de teatro nos impediam de gravar a via pública. Os porteiros das “casas de diversão” nos conheciam e nos cumprimentavam – passávamos o dia inteiro caminhando em busca de personagens e boas tomadas. Bons tempos.

 

Frequentamos todas as principais bibliotecas da cidade em busca do passado da rua. Assim, descobrimos que nosso trabalho era o primeiro a abordar apenas a rua Augusta. Uma pesquisa inédita e feita antes de mudar o perfil dos frequentadores do local. Apenas dois anos depois (em 2005), seria inaugurada a primeira casa noturna, o Vegas, que ajudou na mudança de perfil da região.

 

Divirta-se com o primeiro documentário realizado com o intuito de buscar a história da famosa rua – focamos nos anos 1960 quando os “brotos” saíam para paquerar na rua. O vídeo tem, apenas, cerca de 15 minutos. Boa sessão!
Obs.: O documentário tem menos de dez anos, mas repare como ele parece bem mais antigo! Na época, não existia Google Maps, por exemplo. Gravamos um mapa impresso. Incrível como a cidade e a tecnologia mudaram em tão pouco tempo.

Com a cabeça nas nuvens

Adivinhe onde tirei esta foto? Na varanda da minha casa (suspiro). Aliás, a primeira coisa que faço ao chegar no apartamento é abrir a cortina – faça chuva ou sol, seja dia ou noite. Tenho necessidade desse respiro profundo: admirar a Serra da Cantareira, observar a mudança de tempo e do clima, ver a vida. Sinto que a maioria dos moradores de grandes centros urbanos, ou seja, mais da metade da população do país, perde essa relação com a natureza por vontade própria ou sem querer.

Por exemplo… Há alguns anos, seguia pelas estradas no interior do Mato Grosso do Sul rumo ao ocidente. Meu destino final era a cidade de Bonito. Lembro direitinho daquela paisagem como se fosse ontem: plantação rasteira de soja em ambos os lados, rodovia de mão dupla quase sem curvas que parecia infinita e, elevando os olhos um pouco acima do horizonte, o céu azul claro com nuvens salpicadas. Este era um espaço amplo, livre da interferência de extensas e unidas construções.

 

Minha tia compartilhou os seus pensamentos: “Nossa! Há quanto tempo não vejo um céu assim, infinito?” Ela – e todos nós naquele carro – ficou admirada. Mesmo morando no Rio de Janeiro, cidade que tem um lado (o do mar) com o horizonte de certa maneira livre, naquele momento sentiu e percebeu que falta o céu nos faz.

 

Eu vou perder a vista observável a partir da minha varanda – é verdade que ganharei outras condições como um parque e mais movimento de pessoas no espaço público. Por enquanto, sigo admirando o máximo possível os tons de azul que mudam a cada dia, as nuvens, as montanhas, a chuva, o sol, o clima, o tempo. É importante ter o pé no chão, mas jamais quero perder o meu céu.

Baía de Guanabara contra águas e morros?

Este é um post no estilo: você sabia? Ao menos 15% da Baía de Guanabara, aquela coisa linda circundada por cidades como Rio de Janeiro e Niterói, foi aterrada desde a “descoberta” do Brasil. Uma famosa obra do tipo é o aterro onde está inserido o Parque do Flamengo – delicioso ficar pasmando nele admirando o Pão-de-Açúcar. Bom, apesar de sua beleza, qual o limite para tal ocupação? Há muitas “estórias” para refletirmos sobre as alterações feitas por nós na paisagem.

 

Segundo um pessoal da Fiocruz, localizada no bairro de Manguinhos, antigamente o mar chegava até a avenida Brasil (veja no mapa), umas das vias expressas mais importantes de entrada da Cidade Maravilhosa e que possui a péssima fama de ser perigosa devido aos tiroteios. Também já ouvi e li rumores de que praias como a do Botafogo e Copacabana sofreram com a interferência humana.

 

Talvez a história mais triste sobre aterros na Baía de Guanabara diz respeito ao Aeroporto Santos-Dumont. Existe um bairro, no centro do Rio, chamado Castelo que ainda hoje é conhecido por alguns como “Morro do Castelo”. O local era histórico. De acordo com notícias publicadas em jornais, foi nesse morro que os portugueses, em 1500 e bolinhas, se abrigaram após expulsarem os franceses da cidade (aliás, dizem que o “r” carioca é pronunciado puxado devido ao sotaque francês). Então, foi ali que a cidade se estabeleceu.

 

Assim, vários edifícios históricos foram construídos desde a época dos jesuítas e se mantiveram de pé até o começo de 1900 – entre eles, uma fortaleza que inspirou o nome dado ao morro. Até que, nos anos de 1920, o morro foi ladeira abaixo. Sob o pretexto de melhorar a circulação de ar na cidade para as comemorações do 1º Centenário da Independência do Brasil, o prefeito Carlos Sampaio mandou demolir o local.

 

Aquele montão de terra tirada de lá foi usado, entre outros, para aterrar a área do Aeroporto Santos-Dumont. E, assim, a história literalmente se encontrou demolida. Prédios históricos, acidente geográfico natural, residências, lembranças… ao chão – ou no fundo do mar. Valeu a pena? Como disse meu marido, “parece que as pessoas tentam insistentemente deixar o Rio de Janeiro feio, mas mesmo assim não conseguem”. Tomara.

 

A ciência por trás da TV

3219352526_5f2fc6073a.jpgAtualmente, estou trabalhando no fantástico mundo da televisão. É incrível a força e o alcance que a TV tem. Basta lembrar da pesquisa do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). Ela constatou que cerca de 98% dos lares brasileiros contam com ao menos uma televisão. Desses, 2% não possuem geladeira.
E “fazer televisão” é indescritível. As imagens completadas pelos textos apenas, às vezes, pedem uma música. A imagem em movimento é forte. Tente lembrar de algo que viu na TV quando era pequeno… Inesquecível, a televisão.
Mas quem fez, literalmente, televisão foram os cientistas. Um inventou um treco, outro um barato e, ao final, nasceu o iconoscópio! Não sabe o que é isso? O fazer televisão resume como funciona a ciência. Uma peça que se encaixa na outra até podemos ver seu brilho. Acompanhe a história – científica – da TV comigo:

  • 1817 – O químico sueco Jakob Berzelius descobre que uma corrente elétrica modifica o elemento químico selênio;
  • 1838 – O pintor, editor e inventor americano Samuel Morse – hã, hã – pesquisava o eletromagneto – a “coisa” se magnetiza por meio da passagem de uma corrente elétrica. Um belo dia, com isso, ele inventou o telégrafo;
  • 1873 – O telegrafista irlandês Joseph May resolve melhorar as transmissões telegráficas prejudicadas pelo enfraquecimento dos sinais. Viu que o selênio transmitia os impulsos elétricos com maior intensidade dependendo da sua exposição à luz. Era o princípio da célula fotoelétrica – conversão de luz em corrente elétrica;
  • 1879 – O americano Thomas Edison lidera um grupo de pesquisadores que testa um filamento de papel carbonizado que brilhava por dias. Daí… inventou a lâmpada! Que mais tarde evoluiu para válvulas de televisão;
  • 1880 – O inventor francês Maurice Leblanc criou um sistema que projetava uma imagem atrás da outra. Assim… elas pareciam se movimentar;
  • 1884 – O estudante alemão Paul Nipkow criou um transmissor mecânico. Tratava-se de um disco de ferro com furos eqüidistantes dispostos em espiral. Ao girar o disco, a imagem de um objeto era quebrada em pequenos pontos. Mas, se a velocidade do giro fosse alta o suficiente, a imagem exposta atrás dos buracos voltaria outra vez à forma original;
  • 1884 – No mesmo ano, o físico alemão Heinrich Hertz – hã – prova a existência de ondas eletromagnéticas. E, ainda, que elas podem ser medidas;
  • 1901 – O italiano Guglielmo Marconi constrói um aparelho que codifica as ondas eletromagnéticas em sinais elétricos. O princípio do rádio. Mas há quem conteste. O gaúcho Padre Roberto Landell de Moura teria, três anos antes, inventado o rádio. Acontece que sofreu muito preconceito – saiba mais aqui;
  • 1901 – O russo Boris Rosing pesquisa tubos de imagem;
  • 1920 – O americano Charles Jenkins cria um disco perfurado que captava e transmitia imagens. Enquanto isso, o inglês John Lodgie Baird conseguiu o mesmo feito;
  • 1923 – O russo naturalizado americano, Vladimir Zworykin, inventa o iconoscópio – um tubo a vácuo com uma tela de células fotoelétricas. Quatro anos depois, transmite imagens a uma distância de 45 quilômetros trabalhando para a Radio Corporation of America (RCA). Na mesma época, John Baird faz uma demonstração de transmissão de imagem na Inglaterra. A British Broadcasting Corporation (BBC) o contrata;
  • 1931 – A RCA tem sua antena e os estúdios da National Broadcasting Corporation (NBC), no ultimo andar do Empire State, em Nova York;
  • 1935 – a França constrói sua antena no alto da Torre Eiffel;
  • 1936 – A BBC transmite a coroação do rei Jorge VI.

A partir de 1940, a TV se firma com sistema totalmente eletrônico. Em 1953, a imagem é enviada “a cores”. Em 1962, o satélite Telstar I permitiu a primeira transmissão, experimental, entre os Estados Unidos e a Europa – “ao vivo”. Para o Brasil, a primeira transmissão ao vivo se deu em 20 de julho de 1969. O que aconteceu nesse dia? O homem pisou na Lua. Quem viu, não esquece.
Obs.: Quer ver uma transmissão com minha matéria? Clique aqui. Lembrando que, sábado às 10: 30 h da manhã, participarei de um painel sobre blogs de ciência na Campus Party. Transmissão ao vivo e a cores, aqui. O texto escrevi com base no livro “O Texto na TV”, da jornalista Vera Íris Paternostro, Editora Campus.

Sorteio do livro “Seis Graus”!

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Valendo! Quer ganhar o livro “Seis Graus”, escrito por Mark Lynas e editado pela Jorge Zahar Editor? É simples. Basta escrever nos comentários deste post o que você faz para evitar o aquecimento global. Seja criativo! Os comentários poderão ser postados até o dia 20 de novembro. Em seguida, sortearei todos os inscritos. É o Xis-xis de Natal! Ho ho ho!
Sobre a obra
Meu coleguinha Mark Lynas, jornalista e ambientalista, um belo dia teve um insight. Ele mora a cerca de um quilômetro e meio da Biblioteca Científica Radcliffe, Universidade de Oxford, na Inglaterra. Segundo o autor, a maioria dos estudos sobre aquecimento global eram enviados para o local “onde permaneciam intocados por semanas, ou até anos”. “Dei-me conta de que era quase o mesmo que ter um oráculo de Delfos logo ali no meu jardim dos fundos, ou Nostradamus morando na casa ao lado”, escreveu.
Curioso, o jornalista foi xeretar os trabalhos científicos. E percebeu que, com o material, poderia montar um guia, grau por grau, sobre o futuro calorento do aquecimento global – se ele se concretizar. E essa é a história do “Seis Graus”. Lynas esclarece que parte dos trabalhos científicos foram feitos baseados em projeções, sendo que muitas vezes cada uma utilizava um modelo diferente. Ele foi encaixando os estudos em cada grau. No final do livro, colocou as referências para quem quiser tirar a prova.
O livro foi impresso no Brasil em papel reciclado. Recebi a obra esta semana, estou ainda no primeiro grau. Mas já deu para perceber um pouco sobre a prosa. Ela não é toda catastrófica. Além de bem humorado, de acordo com os temas, aos poucos o autor explica fenômenos da natureza – contextualizados com história e geografia – como as correntes marítimas. Veja duas informações curiosas que grifei:

  • Há 70 mil anos, uma erupção vulcânica na Indonésia lançou muito, mas muito mesmo enxofre e poeira na atmosfera. Tanto que até cortou o calor do sol. Assim, a temperatura do planeta despencou, aproximadamente, seis graus. A população humana foi reduzida para 15 mil a 40 mil indivíduos;
  • Na Idade Média, em meados de 1100 d.C., estima-se que as temperaturas no interior norte-americano foram até dois graus mais quentes do que agora. Índios morreram por falta de recursos naturais e em brigas violentas. Na Europa, os vikings colonizaram a Groenlândia e vinhedos eram cultivados no norte da Inglaterra – hoje eles são plantados no Mediterrâneo.

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