Ação ambiental: plante árvores da Mata Atlântica!

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A ONG Iniciativa Verde onde trabalho – sim! virei oficialmente ecochata, hippie ou ongueira -, vai fazer uma ação aberta a todos: o Plantio Simbólico. Na ocasião, todo mundo – principalmente aqueles que já têm um filho e escreveram um livro – terá a chance de plantar árvores da maravilhosa Mata Atlântica! As mudas serão plantadas no Sesc Interlagos para aumentar e incrementar um bosque que existe no local. Sua rinite e a fauna agradecerão, tenha certeza.

Na ocasião, as equipes da Iniciativa Verde e do Sesc Interlagos explicarão como plantar uma árvore da Mata Atlântica, o que é restauro florestal, a importância de se preservar a floresta. Sério, é fantástico entender de perto como é cuidar da Mata Atlântica, que nos fornece comida, casa e roupa lavada. É uma piração quando as pessoas (foto acima) pegam as bebês árvores: “Que muda é essa? É essa?”

Venha ser feliz e fazer o bem. Com o passar do tempo, você pode voltar ao Sesc Interlagos para ver o quanto a sua mudinha cresceu. Não é lindo?

Informações importantes:
Data: 27 de setembro de 2013
Horários: 10h e 14h
Local: Sesc Interlagos (o Viveiro é o ponto de encontro)
Endereço: Av. Manuel Alves Soares, 1100, Parque Colonial, São Paulo (SP)

Saiba mais aqui. Veja as fotos do Plantio Simbólico 2012.

 

São Paulo: Feliz Dia da Mata Atlântica

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A imagem foi captada no ano passado no Parque Estadual do Jaraguá. Este é uma das últimas vegetações remanescentes da Mata Atlântica na área urbana da Grande São Paulo. No meu lado direito de onde tirei a foto estava o Pico do Jaraguá, ponto mais alto do município com seus 1.135 metros de altitude. A legenda crítica da foto deixo por sua conta sem risco.

Serra da Cantareira: aquela que São Paulo não vê

Durante dois anos (entre junho de 2011 e maio de 2013) fotografei a Serra da Cantareira da sacada do meu apartamento, na cidade de São Paulo. O resultado você pode ver no vídeo acima.

Nela, há o Parque Estadual da Cantareira com área equivalente a oito mil campos de futebol de Mata Atlântica preservada que pode ser contemplada do horizonte – quando os prédios da cidade permitem.

Apesar de abraçar a Zona Norte sendo um dos pontos mais altos do município e de abastecer a região metropolitana com suas águas, a Serra da Cantareira segue impotente, imponente e muda, ignorada pelos habitantes sem tem tempo para voltar os olhos ao que é belo.

O maior cânion da América Latina

O Rio Grande do Sul e Santa Catarina guardam uma formação geológica incrível: um cânion de 720 metros de altura que desce praticamente em 90 graus até o nível do mar. Você tem noção da altura? Os paredões são tão grandes, mas tão grandes que não dá para descrever a sensação de estar na ponta do despenhadeiro. Para você ter uma ideia, a famosa Cachoeira da Fumaça, localizada na Chapada Diamantina (BA), tem apenas 380 metros. Portanto, os cânions do Parque Nacional Aparados da Serra têm quase o dobro da altura! As formações podem ser vistas até do avião que decola de Porto Alegre para São Paulo (pena que minhas fotos tiradas lá do alto não ficaram boas).

Inúmeros cânions fazem parte do parque, cada um com uma característica própria – de alguns deles, inclusive, dá para ver o mar a 20 quilômetros de distância. Eles foram formados há mais ou menos 135 milhões de anos, quando os continentes começaram a se separar. O parque, mais novinho (hehehe), foi fundado em 1959. Mesmo assim, é um dos mais antigos do Brasil. Atualmente, ele passa por algumas mudanças. Terras para pastagens de antigos proprietários na região, onde ainda é possível ver alguns gados, estão virando parque.

O mais incrível nessa história toda é que, apesar da grandiosidade do local, poucos brasileiros o conhecem. Quando estive lá no carnaval deste ano, o número de gringos era o mesmo que o de tupiniquins. Olhe, se você está atrás de maravilhosas paisagens e um destino barato, não deixe de conhecer o parque. O melhor jeito de visitá-lo é via Cambará do Sul (RS). Indico ao menos quatro dias para curtir sussa cada trilha, cada barulho do vento, cada cheiro de araucária e cada despenhadeiro – claro! Se precisar de dicas, só escrever nos comentários que darei!

E seja gigantemente feliz!

Documentários grátis sobre meio ambiente

Recentemente, tenho visto documentários incríveis pela internet disponibilizados pelos próprios autores. Uma maravilha. Não preciso passar na locadora ou cruzar os dedos torcendo para que os canais de televisão transmitam algum documentário interessante. Basta eu ligar a internet e aproveitar o filme via YouTube, mesmo. Praticidade total.

O primeiro filme que recomendo, rapidinho, não tem 20 minutos, é o “Agricultura Legal” produzido pela ONG Iniciativa Verde – onde eu trabalho no momento. Não é puxa-saquismo. O breve documentário relata uma experiência bem interessante onde agricultores contam as vantagens em preservar as matas ciliares e outras áreas protegidas de acordo com a lei ambiental. Saiba mais aqui.

O segundo filme, um pouco maior com quase uma hora, “O Vale”, de de Marcos Sá Corrêia (fundador do “O Eco”) e João Moreira Salles, mostra como o Vale do Paraíba, em São Paulo, foi completamente devastado. É um filme emocionante, triste, deprimente, sem final feliz – na verdade, o final feliz depende de nós. Foi também indicado pelo Blog do Planeta. Veja o documentário na íntegra aqui.

 

Aproveite a sessão pipoca e tenha uma boa semana!

Conheça o único fiorde brasileiro

Ando meio sumida por aqui, né? Por enquanto, farei posts mais espaçados devido ao tempo dedicado ao trabalho (http://revistapesquisa.fapesp.br/) e a outros projetos tomara rentáveis – preciso pagar o financiamento no fim do mês! Mas saiba que assuntos para compartilhar não faltam. Por exemplo, você já ouviu falar sobre o único “fiorde” brasileiro?

Em junho, viajei com amigos para o Saco do Mamanguá, em Paraty, no litoral do Rio de Janeiro. O local é conhecido por ser o único “fiorde” brasileiro – fiorde é uma formação geológica em que o mar passa entre altas montanhas. A paisagem é comum em países próximos à Antártida ou ao Ártico como a Noruega e a Nova Zelândia.

Segundo uma matéria na revista Mundo Estranho, essas formações foram criadas pela ação do degelo. Há milhares de anos, quando a temperatura do planeta esquentava, a água derretida avançava pelo vale “cavando” ainda mais a terra. Resultado: nesses locais, as montanhas são altíssimas e a água pode ter mais de um quilômetro de profundidade.

Logo… não existe fiorde no Brasil. De acordo com um “informativo sobre o Saco do Mamanguá” que recebi dos donos da casa que alugamos – fino, não? -, o local é uma formação conhecida como “ria”, ou seja, um leito de rio que foi invadido pelo mar. Mesmo assim, o Mamanguá é incrível.

Imagine um braço de mar com água transparente, calma e com tons que variam do verde-esmeralda ao azul-calcinha. Esse braço de mar avança entre duas cadeias de montanha de 11 quilômetros de comprimento e recobertas pela Mata Atlântica bem preservada. Ao fim do braço de mar, uma cachoeira desagua no mangue. Ah, detalhe, a areia das praias é dourada.

Em frente à casa alugada, entre o íngreme morro e o mar, duas tartarugas-marinhas todo dia colocavam o rosto para fora da água – lá a profundidade máxima é de 9 metros no centro do braço de mar. Para atravessar de uma margem à outra, bastavam alguns minutos remando em uma canoa – a distância entre as margens opostas deve ser de um quilômetro ou mais.

Bom, cerca de 100 famílias caiçaras vivem no Mamanguá – entre as salpicadas mansões. Os habitantes prestam serviços para os turistas e aos donos das casas – como fazer o transporte das pessoas para o local usando barcos, já que é inacessível de carro -, pescam e praticam a agricultura de subsistência, o extrativismo e o artesanato.

Duas unidades de conservação se sobrepõem na região: Área de Preservação Ambiental de Cairuçu (em âmbito federal) e a Reserva Ecológica da Juatinga (estadual). Detalhe: os barulhentos jet-skis não são bem-vindos no lugar onde a Bella e Edward, protagonistas do hit adolescente Crepúsculo, passaram a lua de mel.

Onde nascem as águas

 

Em tempos de águas de março, saiba que o líquido que sai transparente da torneira da sua residência desceu muita serra. Haja corredeira! A dica é de uma exposição permanente do Parque Estadual de Campos do Jordão, vulgo Horto Florestal, localizado na linda Serra da Mantiqueira. Segundo o parque, “mantiqueira” significa “lugar onde nascem as águas” em tupi – as mina pira na semiótica. A água que passarinho bebe em algumas cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais é proveniente da Serra da Mantiqueira, da Cantareira e do Mar.

No caso da Serra da Mantiqueira, seus riachos, ribeirões e rios têm leitos pedregosos quase sempre com corredeiras. Geralmente, essas águas são frias, límpidas, oxigenadas e rasas. E são diversas, mais belas que o rio que corre pela minha aldeia. Em apenas quatro horas dentro do Horto Florestal, encontrei muita água além daquela que veio do céu: visitei a cachoeira do Galharada e fiz uma breve caminhada ao lado do rio Sapucaí-Guaçu, que corta o parque. Recomendo a visita.

Já o nome Serra da Cantareira não tem origem indígena, mas também remete ao precioso líquido. De acordo com o Parque Estadual Serra da Cantareira – outra dica de passeio incrível e, o melhor, não é preciso nem sair da cidade de São Paulo para conhecê-lo – “o nome ‘Cantareira’ foi adotado por conta da grande presença de tropeiros entre os séculos XVI e XVII que guardavam seus cântaros [vasos] de água em móveis chamados ‘cantareiras‘”. Essa água, como é de se imaginar, era retirada da respectiva serra.

Sempre gosto de saber a proveniência dos produtos e alimentos consumidos por mim. É uma maneira de entrar em contato com a terra – e com a Terra. De voltar às origens. De estabelecer uma ligação com aquilo aparentemente tão distante. Ai, ai. Neste momento, sorrio observando a linda Serra da Cantareira da janela da minha sala. Ainda bem que está aí emoldurando a paisagem.

Obs.: A foto tirei do Pico do Itapeva com cerca de 2 mil metros de altitude. De lá de cima, é possível ver várias cidades no planalto como Tremembé, Aparecida, Taubaté, Pindamonhangaba e São José dos Campos e, mais ao fundo, a Serra do Mar. <3

Passeie pela “mata das nuvens”

“Mata das nuvens”… Poética essa composição de palavras, não? Confesso que emprestei daquela exposição permanente sobre a Serra da Mantiqueira no Horto Florestal de Campos do Jordão, interior de São Paulo. Quem já andou no meio do mato em ambientes serranos do Sul e Sudeste deve ter reparado que alguns locais têm uma névoa quase permanente entre e sobre a vegetação. Para mim, essa paisagem remete aos sonhos ou, se existissem, aos lugares onde viveriam as ninfas. Outros já a relacionam aos filmes de terror.

Essa névoa “mágica” é resultado da umidade levada para as serras do Mar e da Mantiqueira por meio dos ventos que sopram do mar em direção ao continente. O nome “verdadeiro” desse misto de nevoeiro e chuva é mata nebular. Segundo a exposição no Horto Florestal, a mata nebular “é densa, formada por árvores de tronco retorcido, quase sempre cobertos de musgos, bromélias e orquídeas”. Mais detalhes: “Nela são encontradas árvores como o cambuí, o guamirim e o pinho-bravo”.

Os ambientes de mata nebular estão, geralmente, acima de mil metros de altitude. A foto deste post tirei em um local com “mata das nuvens”, dentro do Parque Estadual de Campos do Jordão – o vulgo Horto Florestal. Enquanto eu pasmava sentada sobre uma pedra ao som distante da maior queda da Cachoeira da Galharada, aproveitava para capturar o frescor da mata. Respirava fundo. Ai, ar puro e úmido.

Parece pasto, mas não é

Veja como um passeio de bicicleta ao parque é cultura. Enquanto caía a tradicional chuva das duas horas da tarde do verão* de Campos do Jordão, cidade serrana de São Paulo, aproveitei para visitar um pequeno museu localizado dentro do Horto Florestal – leia aqui o post sobre esse parque. Lá dentro, fiz uma feliz descoberta: muitas terras localizadas principalmente no Sudeste e no Sul do Brasil parecem pasto, mas na realidade são exemplos do ecossistema chamado Campos de Altitude (partes das montanhas sem árvores na foto).

 

Lembro nitidamente as paisagens das minhas viagens de infância e adolescência ao Paraná. Em uma ocasião, a rodovia seguia por um lado de uma serra. Lá embaixo, no vale, corria um magro rio com pedras nas margens que refletia o tom azul escuro. Acompanhando o leito, um bucólico trem transportava a carga por uma ponte de ferro. Conforme o carro avançava, o trem ficava para trás e ao lado dele “subia” uma montanha tomando nossa visão. O alto morro pelado parecia ser coberto por uma vasta pastagem. Apenas uma solitária araucária fazia sombra.

 

No momento, a composição me encantou. Parecia uma pintura feita no início da tarde. Porém, logo em seguida, pensei: “A Floresta de Araucária foi desmatada para dar lugar aos bois? Pena”. Detalhe é que não vi um gado sequer pastando naquelas terras. Hoje, creio que esse lugar perdido nos rincões paranaenses era, na verdade, um exemplar do Campo de Altitude. Segundo pesquisei, esse ecossistema é comum nas áreas mais elevadas – acima de 1.500 metros de altitude – da Serra do Mar, da Mantiqueira e na Cadeia do Espinhaço (em Minas Gerais). Geralmente, são encontrados em locais com solo rochoso.

 

A exposição no Horto Florestal informava que os Campos de Altitude são fundamentais na dinâmica ecológica dessas serras. No inverno, se tornam bem secos propícios a incêndios. Quando chega a primavera, são tomados pelas cores das flores. Aliás, o ecossistema é rico em espécies – muitas delas vivem apenas neles. O engraçado é que sua paisagem lembra as que encontrei na Cordilheira dos Andes – aguarde fotos em novos posts. Claro que guardadas as devidas proporções, principalmente, do tamanho das cadeias de montanhas! Deve ser por isso que me senti tão à vontade no meio daqueles gigantes.

 

 

 

 

*Obs.: Todo dia, na hora do almoço entre 12h30 e 14h, chovia em Campos do Jordão. Mas chovia, chovia muito. Está vendo essas “pedrinhas” brancas no chão da foto ao lado (clique nela para ampliar)? É o resultado de 15 minutos de queda de granizo. Lindo. Ah, e a ciclista da foto acima soy yo.

Pensou em subir o morro do bondinho a pé?

Este post é para quem gosta de apreciar mar, montanha, pássaros, flores, espécies em extinção, tudo junto e misturado. A Pista Cláudio Coutinho, mais conhecida como Trilha da Urca, é um dos meus pontos preferidos no Rio de Janeiro – outros são o Arpoador, Museu da Chácara do Céu, Parque das Ruínas, Aterro do Flamengo, Prainha, Grumari, Lagoa, afe, lista extensa. A trilha une prática de esportes ao ar livre, caminhada ou corrida, com a contemplação de paisagens de tirar o fôlego. O melhor: tudo com a segurança de um terreno do exército.

Seus 2.500 metros podem ser feitos a pé por pessoas de todas as idades, pois o caminho ligeiramente íngreme possui chão de asfalto. Durante o agradabilíssimo passeio, é possível ver pau-brasil recém-plantado e espécies em extinção como, por exemplo, orquídea-da-gávea, bromélia-da-urca, velózia-branca e roxa. Entre os pássaros, podem ser avistados: tiê-sangue, gavião-carijó, saí-azul, sanhaços e tesourão. Claro que os saguis também dão pinta por lá – veja o vídeo com mais informações clicando na primeira imagem deste post.

 

Agora, a cereja do bolo é a trilha que dá acesso ao topo do Morro da Urca, onde fica a primeira parada do bondinho. Sim, é possível subir os cerca de 220 metros do Morro da Urca com seus próprios pés! O caminho que dá acesso ao topo está sinalizado à esquerda nos primeiros metros da Pista – fique atento. Alguns degraus de madeira improvisados são o começo da árdua subida. Prepare-se.

O caminho exige do corpinho – em alguns trechos, usei até as mãos para me equilibrar devido à inclinação… Para piorar ou aumentar a adrenalina, quando fui tinha acabado de chuviscar. A terra estava molhada e escorregadia. Como o clima entre as árvores é sempre úmido, talvez essa seja uma condição constante do solo.

Durante a subida, estava ansiosa para ver a paisagem. O que não foi possível porque a mata fechada impedia, inclusive, a entrada dos raios solares. De certa maneira, não poder apreciar a Baía de Guanabara aumentou ainda mais a ansiedade, a inquietação, a euforia. O que viria à frente?

Apenas ao chegar quase no topo da trilha é possível avistar parte da Praia de Botafogo (foto ao lado) – o outro lado do Morro, já que o acesso à Pista se dá pelo cantinho da Praia Vermelha, no bairro da Urca (foto à esquerda). Bom, seguindo trilha adentro alguns metros para a esquerda… Tcha-nan! Um portão é a dica de que chegou a primeira parada do bondinho! Cerca de uma hora e pouco de subida, você está na primeira parada do bondinho! Do bondinho!

É emocionante atingir o topo com seu próprio esforço. Lá em cima, a tão almejada vista é de tirar o fôlego – se é que sobrou algum. Vale cada gota de suor. Suspiro.

Obs.: Quem preferir, pode fazer o caminho inverso. Descer o Morro da Urca pela trilha. Ou subir e descer. No meu caso, voltei usando o bondinho como meio de transporte – você pode comprar a passagem só de descida lá em cima, mesmo. Há mais de 15 anos não passeava nele…

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