Com a cabeça nas nuvens

Adivinhe onde tirei esta foto? Na varanda da minha casa (suspiro). Aliás, a primeira coisa que faço ao chegar no apartamento é abrir a cortina – faça chuva ou sol, seja dia ou noite. Tenho necessidade desse respiro profundo: admirar a Serra da Cantareira, observar a mudança de tempo e do clima, ver a vida. Sinto que a maioria dos moradores de grandes centros urbanos, ou seja, mais da metade da população do país, perde essa relação com a natureza por vontade própria ou sem querer.

Por exemplo… Há alguns anos, seguia pelas estradas no interior do Mato Grosso do Sul rumo ao ocidente. Meu destino final era a cidade de Bonito. Lembro direitinho daquela paisagem como se fosse ontem: plantação rasteira de soja em ambos os lados, rodovia de mão dupla quase sem curvas que parecia infinita e, elevando os olhos um pouco acima do horizonte, o céu azul claro com nuvens salpicadas. Este era um espaço amplo, livre da interferência de extensas e unidas construções.

 

Minha tia compartilhou os seus pensamentos: “Nossa! Há quanto tempo não vejo um céu assim, infinito?” Ela – e todos nós naquele carro – ficou admirada. Mesmo morando no Rio de Janeiro, cidade que tem um lado (o do mar) com o horizonte de certa maneira livre, naquele momento sentiu e percebeu que falta o céu nos faz.

 

Eu vou perder a vista observável a partir da minha varanda – é verdade que ganharei outras condições como um parque e mais movimento de pessoas no espaço público. Por enquanto, sigo admirando o máximo possível os tons de azul que mudam a cada dia, as nuvens, as montanhas, a chuva, o sol, o clima, o tempo. É importante ter o pé no chão, mas jamais quero perder o meu céu.

Dois olhares sobre a ciclorrota

Tenho passado frequentemente pela ciclorrota da Zona Oeste de São Paulo usando o carro e a bicicleta. Acho divertido, confesso que fiquei toda emocionada ao pedalar sobre a marca de uma bicicleta feita pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) no asfalto logo na semana em que foi anunciada a nova ciclorrota de ligação entre os parques da Água Branca e do Villa-Lobos. Antigamente (há uns três anos), eram os ciclistas quem pintavam no chão as bicicletinhas como protesto por uma qualidade de vida melhor. Vamos chegar lá.

Enquanto o sonho não se realiza, tenho duas observações a fazer. A primeira é uma visão de quem está na bicicleta. Pedalei pela rua Turiaçu (foto), em Perdizes, pertinho do Parque da Água Branca. Como muitos carros estavam estacionados ao lado direito, o espaço na estreita rua era apertado para os veículos em circulação. Segundo a Lei de Trânsito, os carros devem manter um 1,5 metros de distância das bicicletas durante seu trajeto – incluindo a ultrapassagem.

Mas não foi o que aconteceu. Quando não havia carro vindo na outra mão, alguns motoristas até ultrapassaram por cima das duas faixas amarelas contínuas para dar vez aos ciclistas. Porém, a maioria não estava nem aí, tirava fininha de quem passava de bicicleta. Fique tensa. Ambas as ações estão em desacordo com o Código de Trânsito Brasileiro. Quer dizer, os motoristas infringiram a lei e arriscaram a vida dos ciclistas.
Já, quando dirigia meu carro pela região, algumas placas específicas chamavam a atenção conforme se aproximavam do veículo: “Ciclorrota na transversal”. A palavra transversal, que pode ser óbvia para você, deveria ser trocada. Nem todo mundo entende o seu significado, ou seja, um corte inclinado sobre uma linha reta – dê um Google para ver “imagens matemáticas” sobre a tal transversal. Não seria mais intuitivo colocar algo como: “Ciclorrota no cruzamento”?

Bom, se quer saber o que significa ciclorrota e a diferença que existe entre ela, a ciclovia e a ciclofaixa clique aqui. Aliás, saiba também que quase 10% dos brasileiros usam a bicicleta como meio de transporte. E boa pedalada!

Conheça o Minhocão, em São Paulo

Estou muito encantada por usar a bicicleta como meio de transporte e lazer. Era um sonho antigo que agora virou realidade. E andar no Minhocão (viaduto no centro de Sâo Paulo), seja de bicicleta ou a pé, era outro. A construção bizarra – são cerca de 3,5 km de via elevada – corta ruas importantes para a história da cidade, está rodeada de edifícios interessantes como o Castelinho da rua Apa e a sua própria implementação revela que a cidade é pensada para a circulação de carros e não para as pessoas em transportes públicos. Andar de bicicleta nele, fazer o uso do concreto como um parque, traz a sensação de reivindicar o que é deveria ser de todos (clique na imagem para ver o vídeo post).

Vou de bike


Comprei uma “biquicleta” – como diria um conhecido quando criança! Tenho namorado a magrela há meses, mas estava sem tempo para adquirir e muito menos para passear com uma. Até que decidi, “do fim de semana não passa”. Aí está. Agora, vamos pedalar.

Sou daquele tipo de pessoa que quando ganha ou compra algo, quer usar logo. Portanto, domingão, acordei relativamente cedo. Pedalei até tentar alcançar alguma ciclofaixa da cidade – de domingos e feriados algumas faixas de ruas que ligam parques são fechadas exclusivamente para ciclistas. Um detalhe: não conseguimos chegar a uma delas.

 

Nos perdemos… Ameaçava chover… Iam começar os jogos do final do campeonato de futebol… Decidimos voltar. Rodamos, sei lá, pelo menos uns 12 km. A sensação é de liberdade. A mesma daquela quando você era criança e começava a expandir os seus horizontes andando de bicicleta pelo bairro.

As cerca de duas horas pedaladas também foram suficiente para comprovar algo que “eu já sabia”: a cidade de São Paulo é feita para carros. Em bairros arborizados, de calçadas limpas, trechos “interioranos” da cidade, as ruas estão vazias! Cadê as pessoas?

Generalizando, os pedestres são esquecidos durante a formatação do espaço público urbano da metrópole aquariana. Os ciclistas, então… Que tal tentarmos abraçar as nossas calçadas? E exigir ciclovias permanentes? É tão baratinho perto do investimento que é aumentar, por exemplo, as marginais… Bom, veja no vídeo (clique na imagem) a minha empolgação com o passeio. Só te digo: vicia.

Diminuindo o sal da comida

Vergonha alheia é bobagem. Como já disse por aqui, estou fazendo um curso diário chamado “Locução – Apresentação de Televisão”. A atividade de hoje era falar sobre saúde de improviso e entrevistar algumas pessoas dentro do Mercado da Lapa. Como neste blog também gosto de abordar o tema saúde, compartilho o vídeo com você. Só peço que não repare na pequena gafe: eu disse que coloco sal na salada, mas não! Queria contar que tempero a salada com limão. Porém, como o sal estava na minha cabeça… Bom, veja o mais recente vídeo post do Xis-xis:

 

 

Obs.: Claro que aproveitei o “passeio” para comprar sal marinho, que não encontro em qualquer lugar, e quitutes para beliscar como amêndoa defumada (não conhecia, é uma delícia).

Um saboroso aquário em São Paulo


Hoje, depois de dormir mais de dez horas, acordei cedo e – já que… – aproveitei o domingão para ir à feira! Mas não qualquer uma: para a Feira de Produtos Orgânicos do Parque da Água Branca. Recomendo. Os produtos naturebas e hortaliças são mais carinhos, mas, mais saborosos. A Laura do blog “Comer Comer” fez um post bacana e ilustrado sobre o lugar – leia aqui. Sempre que possível, prefiro esse tipo de alimento, já basta respirar poluição o dia todo.

Carregada com as compras, não aguentei a curiosidade. O Parque da Água Branca possui várias atrações, além dos “bichos da fazenda” soltos pelo lugar como a pavoa deixando seus ovos sozinhos para bicar os pintinhos da galinha. Entre elas, estão os museus e um aquário. Aquário, eis a palavra mágica. Nem preciso dizer que adoro o ambiente aquático em geral. Resolvi conhecer.

Paguei dois reais pela entrada inteira, girei a catraca como solicitado e a luz já diminuiu. Em minha frente, apareceu um corredor lotado de gente empolgada com os bichinhos e de espécies separadas em pequenos aquários dispostos em ambos os lados. O local é simples, não espere um ambiente sofisticado como o Aquário de São Paulo. O que não deixa de ser bacana. Aliás, foi uma viagem para minha infância, quando frequentava museus e parques públicos de apresentação simples.O aquário é mantido pelo Instituto de Pesca do estado de São Paulo. Lá, todos os peixes são de água doce e usados na alimentação. A maioria é natural da Bacia do Paraná, onde está localizado o estado, mas há também indivíduos do Norte como o gigante – e fofo – Pirarucu e de outros países como bagres. Os peixes estão dispostos, praticamente, em apenas dois corredores e os aquários, na altura dos olhos de um adulto. Próximos à saída, estão os simpáticos – e com feição de sábios – sapos.

Vale a visita! Os peixinhos parecem ser bem tratados, apesar de algumas espécies se espremerem em um aquário muito pequeno. Bom, independente do tamanho do expositor, as crianças piravam ao ver os peixes. Quanto mais estranhos – como a Tilápia – ou maiores – Pacu – mais a criançada se divertia. Baixinho entre nós: os adultos também… Agora, um detalhe, quando conhecer o aquário não deixe de ler as placas com as informações sobre as espécies! São uma atração à parte.

Em Bonito (MS), realmente como vende a propaganda, me senti dentro de um aquário natural ao praticar flutuação nos rios da região. É bonito de mais – piada besta. Fiquei encantada pela vida fluvial, pelos peixes em busca de alimentos nas pedrinhas ao fundo, pelas plantas se movendo lentamente, etc. Terminado o passeio, perguntaram: “Depois de ver os peixinhos ‘pastando’, dá dó comer peixe, né?”.

 

“Não”, respondi. Poxa, nunca vi uma infinidade de peixe carnudo de tudo quanto é tipo… São “gracinhas” – não preciso dizer que amo e defendo a proteção dos animais aquáticos, certo? – , mas deliciosos. Parece que a mesma água na boca sentiu a pessoa que escreveu as informações sobre as espécies do aquário do Parque da Água Branca. Só faltou dar a receita completa, porque em vários casos estava escrito algo como, “ele é muito saboroso frito” ou “fica gostoso assado” (clique na imagem da placa para aumentar). Sério. Às vezes, a placa indicava até a bebida de acompanhamento. Tudo depois de uma breve explicação sobre a biologia ou ecologia do peixe. Imperdível.

Obs.: Obrigada a minha tia e a meus pais que colheram no sítio dela mais hortaliças orgânicas! Esta semana será recheada de salada e de frutas, bora comer para não estragar.

Minha terra terá mais parques onde canta o sabiá?

Sempre quis colaborar para mudar a qualidade de vida no bairro. Onde morava, pentelhei algumas vezes conselhos e subprefeituras. Minhas questões eram arborização, segurança e ciclovias. De alguns, tive resposta. Outros me ignoraram solenemente. Durante uma reforma das calçadas, por exemplo, pedi para alargá-las para a população caminhar com tranquilidade, sem correr o risco de um veículo atropelar alguém – em algumas partes, era necessário andar pela rua devido ao pouco espaço. Em vão.

Mudei de bairro, mas não de objetivo. Passei a sugerir melhorias para o conselho popular da subprefeitura de onde vivo. Tive retorno de alguns membros que queriam ideias para melhorar a qualidade de vida nesse local. Fiz uma pequena – ahãm – lista. E qual não foi a minha alegria quando descobri esta semana, no projeto de uma operação urbana, a quantidade de áreas verdes que querem implantar próximas ao meu bairro? Veja na figura acima – clique para aumentar. Agora, me aguardem nos debates públicos! Isis, ainda em busca de um mundo melhor.

Adote a fauna da cidade

Resolvi que minha varanda seria verde quando compramos o apartamento – há quase um ano. Mas não sabia que cuidar das plantas vicia. De madrugada, 5°C, está a Isis lá fora como uma estátua sorridente observando as filhinhas. Logo ao acordar, vai a doida de pijama amarelo e pantufas vermelhas regar as mudinhas. Antes de sair para trabalhar, uma última contemplada. Resultado? Em três meses, temos: dois cactos (última aquisição), dois “bambus-da-sorte”, uma carnívora, árvore da felicidade, pimenteira, três violetas, rosa trepadeira (a bebê), mini rosa, jardineira com várias marias-sem-vergonha, orquídea, brinco-de-princesa e lavanda.

Cultivar plantas surgiu da tentativa de tornar o concreto mais aconchegante e em ajudar minimamente a capturar carbono. Porém, depois do “reflorestamento”, uma discussão sobre ter ou não – e qual – um ser animado de estimação inspirou outra ideia. Um problema para adotar um gato, cachorro ou cacatua é ficar o dia todo fora de casa e, sempre que possível, viajar aos finais de semana. O bichinho poderia sofrer ao permanecer sozinho no apartamento por muito tempo. A solução deveria ser mais livre, mais “Era de Aquário”. Propus: vamos adotar a fauna da cidade. O marido topou.

O brinco-de-princesa foi pendurado para atrair beija-flor. Ainda não vi nenhum sugando suas flores, mas um da espécie visitou – numa tarde dessas de domingo – a varanda de cima. Que feliz! Pode ser que ele tenha ido até a nossa quando estávamos fora de casa. Outras plantas que atraem borboletas e abelhas também serão cultivadas na “gigante” varanda. Estou analisando quais seriam mais adequadas à iluminação e ao espaço. Mesmo assim, ainda é insuficiente. Beija-flor, borboleta e abelhinha não fazem primavera. Quero mais… quero maritacas!

Dei mais essa sugestão. Já no dia seguinte, empolgados compramos semente de girassol – dizem que essas aves pequenas, ruidosas e bagunceiras a-do-ram. Prendi na grade um pote leve de plástico, que guardava na gaveta da cozinha, e tasquei um monte de sementes dentro. Nada. Coloquei mais um pouco. O vento derrubou as sementes lá em baixo. Nada. Compartilhei meu mal resultado com meus colegas de redação. Eduardo Cesar, fotógrafo da revista Pesquisa Fapesp, emprestou sua habilidade para a marcenaria e fez um comedouro de bambu. Ficou perfeito. Há cerca de um mês, o refeitório está preso à grade.

Nada. Dizem que as maritacas demoraram cerca de dois meses para perceberem que colocamos o alimento. Tudo bem, serei paciente. Agora, além de observar as plantas e as flores de casa, todo dia chego correndo à varanda para saber se tivemos visitas. Quem sabe elas virão amanhã?

Obs.: Obrigada amigos que nos presentearam com plantinhas!

Nem toda planta que vive na água é alga

IMG_0304.JPGOuvi no rádio uma colega falando de um helicóptero: “As algas do rio Pinheiros se espalharam para outros lugares”. Porém, nem toda planta que vive na água é alga. Sei que não posso atirar uma pedra porque cometi o mesmo erro. Essas plantas se chamam macrófitas. Acredite, se puder.
Observe a foto ao lado. Parece que o veleirinho está navegando na grama, correto? Mas toda essa plantaiada é a tal da macrófita aquática. Ou, tais. Aí, onde há verde, deveria estar visível a água da represa Guarapiranga.
Apurando uma matéria, descobri que existem mais de 80 espécies de macrófitas aquáticas habitando a represa. Algumas chegam a atingir 12 metros de comprimento. Olhando de perto, é meio nojento. Porque o lixo da represa fica preso nessa rede natural.
Mas, ao contrário do que se pensa, em número controlado, a fonte disse que elas fazem bem por oxigenar a água. Elas crescem bastante em ambientes com muito nutriente – seriam as chuvas que levam nutrientes para as águas? Ou tudo?
Na represa Guarapiranga e no rio Pinheiros, elas formam bancos de plantas que flutuam para um lado e para o outro de acordo, geralmente, com o vento. Se eu fosse você, nem mexeria com elas.

Reciclagem na praia

junduelixeira.jpgUma imagem para o sabadão. A cidade de São Sebastião espalhou lixeiras na beira e nos condomínios das praias – uma obrigação que todas as cidades deveriam cumprir. Agora, uma dúvida surgiu. Além da lixeira para materiais orgânicos, ela colocou algumas para a reciclagem de plástico. Poderia inserir de outras coletas seletivas. De qualquer maneira, a imagem é instigante.
Obs.: Olhe o Jundu em volta da lixeira aí, minha gente!

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