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Dia Mundial dos Oceanos: Qual a sensação de praticar mergulho

Posso fazer aqui uma declaração de amor?

Imagine um mar que parece gelatina. De cima do barco, dá para ver o fundo dele a mais de quarenta metros abaixo de você. Ainda da embarcação, os cardumes de peixes que brilham como neon nadam lateralmente. Parecem nos olhar. Quando me jogo nessa água quentinha (como não se atirar?) ouço o barulho dos corais. Sim, eles estalam! Vejo um tubarão-lixa bebê, arraias, tartarugas tão lesadas como aquelas do filme “Procurando Nemo”, polvo assustado, moreias maiores que eu e muitos peixes coloridos de diversas formas. Corais de todas as cores, esponjas, uma água transparente e uma areia macia.

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Eu já havia praticado snorkeling no  litoral brasileiro, pelo que me lembre, em São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bonito (MS) – este merece um post à parte. Mas nunca havia visto nada como Fernando de Noronha, da descrição acima. Após me entregar para aquela água, minha vida mudou. Quando mergulhei de cilindro lá, então, entendi a paz que o mar nos traz.

Eu estava com medo de saltar na água com presos pesos à minha cintura e com aquele cilindro que deveria pesar mais que eu. Por sorte, estava com o instrutor mais paciente e carinhoso do grupo. Certamente ele pensou: “Essa vai dar trabalho”. Tremendo, não sei se de frio ou nervoso, começamos a afundar.

Quando cheguei a mais de dez metros de profundidade (sem precisar subir para pegar ar, como teria que fazer com o snorkel) ao mar eu tinha certeza que pertencia. Era relativamente silencioso. Ouvia mais forte apenas minha respiração. Tudo azul. Senti uma paz que só havia atingido meditando.

Brinquei de “fechar” corais. Observei os animais marinhos. Me senti de volta ao útero. Acolhida. Estava muito feliz e plena. Ficamos cerca de meia hora abaixo da água, explorando aquele mundo maravilhoso, mas parecia apenas cinco minutos quando já era para voltarmos.

Eu não quis. Comecei a fugir do instrutor. Como se tivesse a capacidade de deslizar como um tubarão cheia daqueles penduricalhos presos ao meu corpo. O instrutor nadou atrás de mim e falou que não tinha jeito, precisávamos subir. Deu a entender que o ar poderia acabar. Começou a inflar minhas boias.

Relutei em voltar à superfície tentando argumentar de baixo da água por língua de sinais de mergulho. Lamentei muito. Subi contrariada. Eles explicaram que aquilo que eu senti aconteceu devido ao excesso de oxigênio no meu cérebro. Que “dá barato” e a pessoa perde a noção de tempo e de perigo.

Não, meus amigos. Aquilo aconteceu devido ao excesso de mar em volta de mim.

#DiaMundialdosOceanos

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Queremos parques “de bonito” ou para serem curtidos?

IMG_6381Na África do Sul, quando caminhávamos – vendo uma foca brincar nas ondas – pela areia da praia do Parque Nacional Tsitsikamma (foto acima) em direção a uma trilha, para subir 300 metros de morro, um homem nos parou. Abriu um sorriso: “Oi, tudo bem? De onde vocês são?” Respondemos que éramos do Brasil. “O que acharam do parque, estão gostando?” O lugar era lindo com animais marinhos, fantástico com paredões que despencavam na água, bem cuidado, bem estruturado, com uma lanchonete que não metia a faca na gente, seguro em relação a tudo, enfim, estávamos amando. “Que bom que estão aproveitando, desculpe-me a intromissão, mas sou o diretor do parque e queria saber se estavam contentes.” É por essas e por tudo o mais que amo a África do Sul, mesmo com seus graves problemas sociais.

Na África do Sul e nos maiores parques da Argentina e do Chile, é possível dormir dentro delesAproveitar a lanchonete, geralmente, sem preços muito abusivos. Também dá para caminhar com segurança pelas trilhas bem demarcadas e obter informações sobre o local com os funcionários. Os safáris da África dizem por si no imaginário das pessoas – é tudo isso o que você pensa. Aqui do outro lado do Atlântico, gente, o Chile nem parece um hermano brasileiro. As entradas aos parques são baratas e eles são bem sinalizados, organizados, têm excelentes estradas e trilhas – coração para o Parque Nacional Torres del Paine (foto do Sol, abaixo) e Parque Nacional El Morado. Se perder neles, só se for em pensamento…

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África do Sul, que há cerca de 15 anos estava em meio a uma guerra civil, conseguiu se reerguer economicamente sabendo usar o ecoturismo. Aliás, o ecoturismo colaborou até para recuperar áreas naturais e espécies. O Chile, apertadinho entre tanta beleza, tem parques desde o deserto do Atacama até o frio da Patagônia. Quem nunca sonhou em conhecer uma das belezas naturais do Chile? Digo o mesmo para a Argentina, que divide conosco as Cataras do Iguaçu, que tem o Perito Moreno e o Parque Nacional Tierra del Fuego lá no Fim do Mundo. E o Brasil, o que tem? Desse tamanho todo, não tem nada?

Muitos parques (reservas) brasileiros, sejam eles públicos ou privados, se encontram em triste situação. A maioria deles sofre com falta de planejamento e do famoso manejo. Em alguns parques, onde o atrativo eram as aves, não se observam mais aves. Outros quase tiveram que fechar as portas por conta da falta de dinheiro para mantê-los. Outros são depredados pelos visitantes, que em vez de terem orgulho da beleza nacional, preferem destruir o nosso patrimônio. Claro que, já que Deus é brasileiro, ainda há palmeiras onde canta o sabiá.

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Existem inúmeros bons exemplos no Brasil. O mais recente que eu visitei, a convite da Fundação Boticário que o mantém, é o Reserva Natural do Salto Morato (foto abaixo) distante apenas 170 quilômetros de Curitiba, capital do meu maravilhoso Paraná. O lugar tem cachoeira de 100 metros, piscina natural, figueira de 350 anos, quase 600 espécies de plantas, cerca de 350 espécies de pássaros (fáceis de serem avistados), mais de 80 espécies de mamíferos… Dá para caminhar por ele com segurança, dá para acampar e ele tem lanchonete. A entrada inteira? Sai por sete reais.

Vamos aproveitar o que temos de lindo e de melhor. Vamos conhecer as reservas respeitando a cultura local, sem retirar nada do lugar, tendo cuidado com nós e com os outros, guardando o meio ambiente. Assim, com essas ações, nós estimularemos a conservação desse e de mais locais. O Brasil é gigante. O Brasil é lindo. A população brasileira é uma das mais simpáticas e generosas do mundo. Isso tudo é o que temos de melhor. Alguns ecoturismo são caros, sim. Então, vamos estimular aqueles que são viáveis para que os inviáveis economicamente se tornem mais acessíveis. E, sempre, sempre com consciência. O ecoturismo pode impactar um lugar, mas pode ajudar a preservá-lo.

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Obs.: Todas essas fotos do pots pertencem ao Xis-xis. Por favor, peça autorização para usá-las.

Como destruir vários ambientes com espécies invasoras

IMG_1848Duas ideias de jerico. Na realidade, três se formos falar sobre as ovelhas, mas esta fica para outro post. Quem visita o Parque Nacional da Terra do Fogo, em Ushuaia, Argentina, pode observar o trabalho de castores canadenses fazendo suas represas. Sim, esses bichos são geniais, derrubam árvores para conter água. Acontece que, como deve ter reparado, eles são canadenses! E o que fazem do lado oposto do continente? E por que as lebres-europeias, provenientes do outro lado do Atlântico, também podem ser vistas ao lado deles no Fim do Mundo?

Bem, resumindo a história que você pode saber mais aqui, os castores foram introduzidos na região em 1946 pela indústria da pele. Sem predadores naturais, os 25 pares se transformaram em 100 mil indivíduos! Um problema para a bicharada local, que tem que competir por espaço e comida com eles, e para as árvores. Estas são derrubadas sem tempo de recomporem bosques, agora, no chão. Quer dizer, na água.

Por sua vez, as lebres-europeias foram colocadas na Patagônia para serem caçadas pelos homens. Isso mesmo, como um instrumento esportivo. Mas elas foram longe… Atualmente, podem ser encontradas aqui no estado de São Paulo comendo plantações! O caso da lebre-europeia é tão sério, que ela está causando a extinção da lebre-da-patagônia. Esta é rara de ser observada. Agora, a outra, eu mesma vi do ônibus dentro do Parque Nacional Los Glaciares, onde está o famoso glaciar Perito Moreno (Argentina). Aliás, há alguns anos, creio que foi ela que observei no Paraná. Para você ver como a ação humana sobre os animais pode causar um estrago continental.

Turista: não alimente os animais silvestres

IMG_1813Quem nunca, não é mesmo? Quando a gente, Felícia da vida, vê aquele animalzinho bonitinho ou gracinha de tão feinho tem vontade de apertar, passar a mão ou de perguntar, “quer ser meu amigo”? Mas resista à tentação! Se você gosta mesmo dele, tem que deixá-lo livre em sua natureza. Caso contrário, pode prejudicar aquele que diz que ama. Um exemplo é o problema com as raposas (Pseudalopex culpeus) da Patagônia que eu pude ver com meus próprios olhos, graças a um brasileiro.

Chegando ao Parque Nacional da Terra do Fogo, no Ushuaia, um brasileiro bagunceiro – pleonasmo – ficou mais animado ainda ao ver uma raposa se aproximando da vã que parava. Quando descemos do veículo, todos soltamos ao mesmo tempo: “Que lindinha!”. Foi um alvoroço geral. Todos queriam tirar foto da raposa e vê-la de pertinho. Ela se aproximou de nós, menos de dois metros de distância. Nesse momento, o brasileiro não se conteve. Abaixou, esticou o braço e tentou passar a mão na cabeça do bicho. A raposa em um piscar de olhos deu uma mordida na mão dele. Fiquei preocupada, mas ele disse ao amigo: “não foi nada”. Passada mais de uma hora, ouvimos um amigo exclamar: “Nossa, ficou feio”.

IMG_1920Elas são muito, mas muuuito lindinhas – saiba mais sobre essa espécie aqui. Têm um olhar e andar de gato – aliás, li em algum lugar que as raposas em geral são parentes mais próximas de gato que de cachorro, alguém saberia dizer se a informação procede? As raposas ou zorro, como as chamam os hermanos, parecem dóceis. Além disso, é comum elas chegarem perto de pessoas nos parques, principalmente, da Argentina como aconteceu conosco. Por que será?

Simples, porque as pessoas as alimentam. Para que caçar se você pode ganhar? Ou roubar um churrasquinho suculento? Quando nós alimentamos os animais silvestres causamos uma série de problemas. Resumindo, eles “desaprendem” a caçar, podem passar mal com a nossa comida, desenvolver uma doença e infectar outros semelhantes. Também, essa ação pode causar um desequilíbrio no ecossistema local, afinal, as raposas deixarão de comer suas caças que, consequentemente, poderão se multiplicar. Para piorar, as lindas raposas podem ficar agressivas contra os humanos. Não duvide, vão morder para conseguir comida ou quando se sentirem ameaçadas.

IMG_1815Obs.: Outro problema semelhante ocorre na fronteira da também Argentina com o Brasil. Os quatis roubam a nossa comida no Parque Nacional do Iguaçu. Em uma ocasião, no parque do lado da Argentina, vi o animal subindo na mesa de uma gringa e tirando o lanche da mão dela. Atenção, os animais podem transmitir raiva. Se for mordido, vá a um pronto-socorro tomar vacina.
Dica de viagem: No inverno, algumas trilhas do Parque Nacional da Terra do Fogo, como a costeira, estão fechadas por causa do volume da neve – eu tentei fazer, andava com neve pelo joelho. Inviável, perigoso cair em um buraco. Por outro lado, a entrada é grátis. Em um dia é possível ver as principais atrações do parque. Se for no verão e curte natureza, reserve dois dias para fazer as principais trilhas. Em ambos os casos, leve lanche e água.

A caça às baleias ajudou a dizimar um povo

IMG_1823Esta triste história mostra que o bater das asas de uma borboleta em um extremo do planeta pode provocar uma tormenta no outro extremo em semanas. Na região litorânea mais ao sul da Terra do Fogo, local austral do continente Americano, vivia o incrível povo Yámana. Essa região foi a última onde o homem chegou – exceto pela Antártida – e isso foi há cerca de 15 mil anos. Desde então, os Yámanas viviam lá ambientados ao clima extremamente frio.

Com a chegada dos europeus, por volta do ano de 1.500, a vida desse povo mudou para sempre. Os Yámanas viviam em famílias. Cada família em uma canoa – a região da Terra do Fogo é toda formada por ilhas, em outro post pretendo falar sobre essa geografia. Quando estavam em terra, construíam cabanas redondas com galhos e dormiam no chão. Depois, abandonavam a cabana e voltam às canoas. Outra família poderia ocupar a cabana abandonada sem problemas.

Canal de Beagle ao fundo
Canal de Beagle ao fundo

Quando eles avistam uma baleia no Canal de Beagle, localizado em frente à cidade argentina de Ushuaia, a caçavam. Em seguida, faziam uma fogueira bem grande para avisar a todos os Yámanas que conseguiram uma baleia. O óleo dela era usado para eles manterem a pele do corpo seca. Ele era divido entre todos e guardado um pouco sobre a terra para caso aconteça alguma ecasses no futuro. A carne servia como alimento. Se fosse uma baleia que no lugar de dentes tinha cerdas bucais, estas eram usadas para forrar a parte de dentro e inferior da canoa.

Os europeus, principalmente, descobriram que haviam muitas baleias na região e na Antártida e começaram a caçada desenfreada. Muitas ainda correm risco de extinção. Até hoje não conseguiram se recuperar – no Ushuaia, antes comum, atualmente é difícil avistar baleias. Os colonizadores usavam o óleo de baleia, entre outros, para acender lampiões de rua.

Os Yamánas começaram a sofrer com a falta das baleias. Menos alimento, menos proteção para o corpo. Além disso, a região litorânea onde viviam começou a ser disputada pelos colonizadores que queriam se estabelecer lá porque o local era a ligação (para barcos) entre os Oceanos Atlântico e Pacífico. Para piorar, os índios que viviam na região começaram a morrer sem resistência às doenças dos “brancos”.

Por fim, brigaram pela sua terra, mas sofreram com a violência dos colonizadores. Se não me engano, em menos de 100 anos, a população de 2.500 índios que viviam no local foi reduzida para 500. Hoje, sua cultura praticamente se perdeu. Assim, junto com eles, perdeu-se a riqueza das pessoas.

Bahia Lapataia
Bahia Lapataia

Obs.: A foto acima foi tirada na lindíssima Bahia Lapataia, dentro do Parque Nacional da Terra do Fogo, onde os índios viviam. Se não me engano, esse “montinho elevado” é um sambaqui, chamado lá de concheiro (concheiros ou concheira). Restos das cabanas ou de artefatos e alimentos usados por eles.

Dica sobre turismo no Parque: se for no inverno, pode visitar com vã (a entrada é gratuita). Devido à neve, algumas trilhas como a costeira ficam fechadas. No verão, indico dois dias para conhecer as principais trilhas – seria prático ir com carro alugado. Ah, dá para acampar no parque.

O Sol nasce e se põe no mesmo lugar

11 horas da manhã
11 horas da manhã

A qualquer momento do dia em que eu olhava ao Sol na cidade de Ushuaia, Argentina, principalmente para ter ideia de que horas eram, ele marcava cerca de quatro horas. E estava sempre acima das montanhas. Aquilo começou a me encafifar de tal maneira que observava de canto de olho só para ter certeza de que o astro não estava me trolando. Sério, não podia ser! Nunca estava a pino.

16 horas
4 horas da tarde

“O Sol anda em linha reta! Ele nasce em uma montanha e se põe na ao lado! É sempre assim?”, lá vai eu perguntar à dona da pousada. “Isso porque você não viu no auge do inverno, ele nasce e se põe sobre a mesma montanha”, ela respondeu. No pico do inverno, há poucas horas de luz (veja neste site). Já no verão, ela me disse que o dia começa às quatro da matina e termina lá pelas 11 horas da noite. O Sol nasce no centro do Canal Beagle (que fica em frente à cidade). E que é lindo. Deve ser.

Matutando sobre o Sol, tive uma luz – rá. Como eu não pensei nisso antes… Ushuaia está bem ao Sul do planeta. A Terra é inclinada, isto gera as estações do ano. No inverno, a parte virada mais para longe do Sol se “esconde” do astro. No verão, ela permanece mais tempo perto do Sol (veja no vídeo abaixo). Agora, o curioso é ver o Sol andando em linha reta na região noroeste e de repente sumir nas montanhas onde ele nasceu. Muito doido.

Ah, eu ouvi dizer por lá que Ushuaia significa algo como “de onde vem o Sol”. Não lembro a fonte, mas faria sentido.

Por que se chama Terra do Fogo

IMG_1857Um post da leva “mas por quê?”. Essa é uma boa pergunta, já que o lugar é tãooo frio. Bom, Terra do Fogo é sinônimo para o Fim do Mundo, se refere à região ao sul da América mais perto da Antártida do que do Brasil!

Quando os “descobridores” da América passaram por lá – eles usavam a região como ligação comercial entre o Oceano Atlântico e o Oceano Pacífico 400 anos antes do Canal do Panamá ser inaugurado, mas essa história vale outro post – observaram um monte de luzinhas de fogo.

Um monte, mesmo. Acredita-se que o litoral da região austral era habitada por 2.500 índios da etnia Yámana – e não sobrou um para contar história. Para suportar o frio, eles faziam fogueiras. Se espalhavam pelas ilhas ao sul e passavam bastante tempo em canoas.

Aliás, os Yámana andavam pelados! Depois publicarei um post explicando sobre como eles suportavam o frio. Afinal, uma fogueirinha daria conta dos graus negativos?

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Fonte dos dados: Museo Yámana, em Ushuaia. Fonte do mapa: Google Maps.

Patagônia austral: posts sobre o Fim do Mundo

IMG_3201Acabei de voltar de uma viagem pelo tempo. Uma viagem sobretudo geológica, glaciológica, paleontológica e antropológica. Fui para a Patagônia austral chilena e argentina! Um sonho realizado! Lá é o último lugar da Terra, exceto pela Antártida, onde o homem chegou. Isso há 15 mil anos. Uma data recente se você pensar que o planeta tem mais de quatro bilhões de anos. Engraçado que, ano passado, fui para a África do Sul, lugar onde o homo sapiens “apareceu” cerca de 200 mil anos atrás. Um ciclo fechado! Como deu para perceber, tenho muuuuita história para contar.

 

Nem acabei de publicar todos os posts que queria sobre a África (ao menos alguns vídeos vou colocar no ar) e já quero partir para a Patagônia. Achei que fosse “apenas” contemplar paisagens deslumbrantes, caminhar muito, comer e beber bem, mas, no Fim do Mundo, consegui caçar muita informação sobre os primeiros habitantes daquela inóspita região. Sem contar a paleontologia do nosso continente que consegui entender melhor – mas eu já imaginava que veria dados sobre os extintos animais como dinossauros e grandes mamíferos graças ao livro “A Viagem do Beagle”, do mestre Darwin. Recomendo!

 

Enfim, estando no Fim do Mundo deu para perceber porque Darwin conseguiu coletar tanta informação sobre geologia e como aquelas terras incríveis o ajudaram a formular a famosa Teoria da Evolução. Se você pode, não deixe de ir à Patagônia (me mande e-mail se precisar de dicas e informações). Ela me ajudou a entender mais sobre o nosso planeta, sobre o nosso continente, sobre os nossos vizinhos e sobre eu mesma. Uma viagem ao passado e ao nosso futuro.

 

IMG_3070Apesar desse não ser um blog de turismo, vou compartilhar algumas dicas ao fim de cada post (seria um dever meu, porque há pouca informação em português sobre como conhecer a região). Dica de museu para quem curte antropologia: Museo Yámana, em Ushuaia. Para quem gosta de palentologia, Centro de Interpretación Histórica Calafate; e para quem quer entender sobre glaciologia, Glaciarium, ambos em El Calafate.

 

Outras dicas básicas. A Aerolineas Argentinas pode cancelar voos de última hora ou adiantar o voo sem avisar. Portanto, chegue com folga ao aeroporto. Apesar de a Argentina e o Chile serem vizinhos, o transporte entre eles é complicado fora de temporada (depois quero fazer um post sobre o ranço entre ambos). A maioria dos passeios duram o dia todo, vá com tempo e reserve com antecedência. Leve roupas sintéticas para o frio, eu (sou muito friorenta) peguei -15 ºC sem reclamar. Roupas ideais: segunda pele de tecido polar, blusa de tecido polar, corta vento e impermeável. A calça deve ser segunda pele de tecido polar e calça corta vento. Tênis impermeável de caminhada. E aproveite o frio do mundo!

 

Serra da Cantareira: aquela que São Paulo não vê

Durante dois anos (entre junho de 2011 e maio de 2013) fotografei a Serra da Cantareira da sacada do meu apartamento, na cidade de São Paulo. O resultado você pode ver no vídeo acima.

Nela, há o Parque Estadual da Cantareira com área equivalente a oito mil campos de futebol de Mata Atlântica preservada que pode ser contemplada do horizonte – quando os prédios da cidade permitem.

Apesar de abraçar a Zona Norte sendo um dos pontos mais altos do município e de abastecer a região metropolitana com suas águas, a Serra da Cantareira segue impotente, imponente e muda, ignorada pelos habitantes sem tem tempo para voltar os olhos ao que é belo.