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página aleatória
Quase todo mundo já usou o random mode em alguma coisa, seja no mp3-player, na Wikipédia ou em qualquer blog que tenha o recurso disponível.
Hoje nos parece tão simples gerar números randomizados que ninguém mais se lembra dos maus e velhos tempos onde tudo tinha que ser feito à mão. Muito antes de a internet e do random.org existirem, entre os anos 1920 e 1950, diversos livros foram publicados contendo apenas tabelas números aleatórios. Esses números eram usados principalmente para pesquisas estatísticas e criptográficas — ou, o que talvez fosse mais comum, inventar dados numéricos para trabalhos na faculdade.
O Livro Sagrado
De todos os livros do gênero, o mais famoso foi sem dúvida A Million Random Digits with 100,000 Normal Deviates [Um Milhão de Dígitos Aleatórios com 100.000 Desvios Normais]. Publicado em 1955 pela RAND Corporation, o Million Random Digits foi a primeira obra do gênero a usar uma simulação eletrônica (uma roleta simulada em computador) para obter os dígitos. Mesmo assim, ele demorou para ser escrito: a obra começou a ser feita em 1947 e só ficou pronta oito anos depois.
Random_digits
O livro também foi inovador porque pode ser considerado um e-book pioneiro. Além da versão impressa, com mais de 600 páginas, também havia uma versão que trazia apenas os dígitos em uma série de cartões perfurados (os tataravós tecnológicos da memória flash).
Depoimentos Milagrosos
Com o desenvolvimento de computadores cada vez melhores, capazes de gerar números randômicos sozinhos, os livros com tabelas de números aleatórios caíram em desuso (o pobre desuso deve ter se machucado, coitado). Mas com o tempo o livro também tornou-se uma espécie de bíblia nerd, especialmente após uma nova edição ter sido lançada na Amazon em 2001. Desde então comentários hilários depoimentos milagrosos sobre o livro surgiram na seção de avaliação da Amazon:
“Depois que você passa da metade, o resto da história é bastante previsível”
“Se você gosta desse livro, recomendo que você o leia no original em binário. Como em muitas traduções, a conversão de binário para decimal frequentemente causa uma perda de informação e, infelizmente, os dígitos mais significantes são perdidos na conversão.”
“Uma grande leitura. Cativante. Eu não conseguia largá-lo. Eu daria cinco estrelas, mas infelizmente havia muitos erros tipográficos. Por exemplo: 46453 13987.”
“Francamente, as cenas de sexo eram estranhas e mal-escritas e pouco adicionavam ao valor da trama.”
“Para uma suposta obra de referência, a falta de um índice é um sério impedimento. Espero que isso seja corrigido na próxima edição.”
Quase perfeito
Que incrível obra de referência! Mas com tantos dígitos aleatórios incríveis, é uma vergonha que eles não tenham sido organizados, o que facilitaria a busca daquele que você precisa.”
“Eu tive aulas de estatística na faculdade. Eu usei esse livro para me ajudar a escolher números de telefone aleatórios para uma pesquisa que estava fazendo para um projeto da classe. Uma daquelas chamadas foi atendida por uma mulher que agora é a minha esposa. Estamos casados há 10 anos! Obrigado, RAND.”
“No começo, eu estava superfeliz quando recebi meu exemplar desse livro. Porém, quando uma inimiga no meu departamento me mostrou o exemplar DELA, eu percebi que eles eram o OPOSTO da aleatoriedade — eles eram IDÊNTICOS.
É bastante frustrante, mas é ainda mais perigoso para os agentes na minha área. Não confie nesse livro para gerar códigos!”
“Este livro não chega nem perto de entregar sua promessa de um milhão de dígitos randômicos. Minhas expectativas estavam altas após ler a primeira sentença, que continha dez dígitos únicos. Entretanto, o autor parece ter exaurido sua criatividade nessa explosão inicial, pois os outros 99,999% do livro está coberto com aqueles mesmos dez dígitos, que são reutilizados sem a menor vergonha!”
“Embora a versão impressa seja boa, eu gostaria que a editora lançasse um audiobook também. Uma perfeita companhia para o Ipod de qualquer um.”
E na opinião de 234 das 262 pessoas que escreveram sobre o livro, a melhor resenha sem dúvida é essa:
38493 34740 47383 37054 48624 78568? 18581 28682 18558 24866 22584 24995 26484 14589 15648 15486 73893. 77504 03478 47589 43705 47309 67490 27348 57490 57409 37405 40978, 39794 (39847 57303 57049 32740 57403) 75093 47309 47328 54798 68978 97231 23473 34785 34097 34097. 34987: 34908 74309 34709 34908 40700 34087 45709 39874 97865 53586 97423 64987 36549 $54868 97668 52585 58855 93633 48457 20385 49884. 57430 34094 08908 34098 & 30409 08745 72009 23730 40508%. 24094 32098 00908 34042 20835 27789 29735 #93487 98743 32907 75928 29873 29723 54097 29735 29357 40540 34094 21009 08423 40755 09725. 25097 45097 23099 [email protected] 23098, 50983 20408 60846 23974 90766.
O Salvador
Por fim, uma história um tanto absurda. Quando um fã chamado Nathan Kennedy tentou passar o Million Random Digits original para o meio on-line ele não conseguiu. Antes de lançar o projeto, Kennedy teve o cuidado de mandar um e-mail para a RAND. No e-mail, ele argumentava que tabelas numéricas em si não são conteúdo criativo e, portanto, não estão sujeitas as leis de copyright. Como resposta, ele recebeu um e-mail lacônico em que a RAND dizia que  o material era sujeito à lei de direitos autorais (WTF??) e que a RAND não cederia os direitos de distribuição a ninguém.
Então o nosso herói resolveu fazer o que qualquer nerd faria: usar seu iMac, o random.org e alguns algoritmos para fazer sua própria versão da obra. Também com um milhão de dígitos e 100.000 desvios normais, essa versão 2.0 está livremente disponível aqui. Palavra da Salvação! Graças a Google!
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