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Você vive perdendo tempo? Ou melhor, vive perdendo seu relógio de pulso? Gostaria de torná-lo multifuncional? Não seria melhor ainda torná-lo parte do seu corpo? Andrew J. Singer e Sean White, da Califórnia, acham que a resposta para a última pergunta é “sim”. Em 1995, eles inventaram um “Implante Subcutâneo Visível e Programável” que foi descrito assim:
Um implante subcutâneo para exibir várias informações reprogramáveis ou padrões decorativos [implantado] sob a superfície da pele de uma pessoa ou animal. Um umplante subcutâneo biologicamente inerte é construído de um material flexível de modo a se conformar a superfície da pele. O implante subcutâneo inclui uma bateria para suprir energia para o implante [e] também inclui um receptor para receber informação de programação do usuário e um mostrador para mostrar a informação programada através da pele.

À parte a linguagem repleta de pleonasmos como “receptor para receber”, a patente nº. 5.638.832 afirma que a inspiração para o invento veio não da perda constante de relógios de pulso (digitais ou não), mas daquelas etiquetas eletrônicas usadas para rastrear o gado! No entanto, segundo Mr. Singer e Mr. White, 

a arte já estabelecida falha em apresentar um dispositivo implantável que apresente várias informações, como dados de identificação, dados médicos, padrões decorativos, etc. Além disso, a arte já estabelecida falha em apresentar um dispositivo implantável que possa ser reprogramável […].

Como já deve ser evidente a essa altura, a invenção — patenteada em 17 de junho de 1997 —  teria fins de identificação e utilidade médica, além de poder mostrar as horas ou formar “padrões decorativos” que os inventores consideram uma “tatuagem eletrônica”. Sim, de acordo com a Fig. 4, há uma versão transdérmica. Mas ela nos parece bastante inviável (se não o fosse certamente teria sido mais uma das febres dos anos 90 das quais já temos saudade).

O leitor mais sagaz já deve ter percebido o mesmo problema em ambas as ilustrações: se o “Implante Subcutâneo” for implantado de modo incorreto, impossibilitando a leitura das informações, será necessária uma segunda cirurgia para colocá-lo na posição correta. Fosse um relógio de pulso, bastaria desafivelá-lo e colocá-lo novamente, sem necessidade de intervenção médica.

Além disso, a proposta do invento já está totalmente superada (para não dizer datada). Aplicativos em smartphones podem ser usados com maior facilidade e conforto para o registro e comunicação de informações sobre a condição de saúde do usuário [essa não parece mais uma frase de patente? acho que ando lendo patentes demais…]. E, embora seja mais fácil perdê-la, uma carteira de identidade é uma solução bastante simples para fins de identificação.

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