Lewis Carroll analisa a tensão superficial em um experimento mental. É um exemplo perfeito de lógica escorregadia:

Suponha um sólido mantido sobre a superfície de um líquido e parcialmente imerso: uma porção do líquido é deslocada enquanto o nível sobe. Mas, evidentemente, com essa elevação do nível, um pouquinho a mais do sólido acaba imerso. Assim, temos um segundo deslocamento do líquido e um consequente aumento do nível. Novamente, essa segunda elevação do nível causa ainda outra imersão e porseguinte outro deslocamento e mais outra elevação do nível do líquido. É auto-evidente que esse processo deve continuar até que o sólido seja inteiramente imerso e que o líquido passará a imergir o que quer que tenha mantido o sólido ou que esteja em contato com ele ou que possa ser temporariamente considerado parte dele. Se você mantém um galho de seis pés em contato com a superfície de uma poça d’água e esperar o bastante, eventualmente vai acabar sendo imerso. A questão da fonte de onde a água vem — que pertence a um alto ramo da matemática e está além de nosso presente escopo — não se aplica ao mar. Vamos, portanto, considerar o caso familiar de um homem parado à beira-mar, durante a maré-vazante, com um sólido em sua mão, o qual ele imerge parcialmente. Nesse caso, ele [o homem] mantém-se firme e imóvel, embora saibamos que ele deveria acabar afogado.

As multidões daqueles que perecem diariamente dessa maneira para atestar uma verdade filosófica — cujos corpos as ondas rabugentas lançam indiferentemente em nossas praias ingratas — merecem ser chamados de mártires da ciência mais do que um Galileu ou um Kepler.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...