O silêncio caiu por estas bandas na última semana. Mas não há motivos para pânico. Este que vos escreve vai bem, obrigado. Bem atarefado também, mas finalmente posso revelar o que me deixou longe da blogosfera nos últimos dias. É algo que vem me ocupando desde meados de junho. É algo que tem a ver com minha formação. É algo que tem a ver com o hypercubic. É algo que mede 20x15cm, tem umas 150 páginas e é um tanto patético em seu conteúdo.

Os leitores mais sagazes já sacaram: é um TCC. Também, mas mais do que isso — é meu primeiro livro! E hoje posso, enfim, contar a breve história de como ele nasceu.

Se livros são como filhos, o meu primeiro definitivamente não foi planejado. Confesso que já havia pensado em tê-lo, mas era mais um sonho distante do que algo realizável.

Tudo começou num dia meio chuvoso de meados de junho. Eu tinha que protocolar um projeto de trabalho de conclusão de curso. O que estava nos meus planos era uma monografia sobre divulgação científica para o público infantil no Ensino Fundamental. Já havia escolhido alguns possíveis orientadores, mas na hora de entregar o projeto, topei com o Dino Magnoni — meu grande (literalmente) professor de radiojornalismo. Ele deu uma olhada e logo me indicou um professor que eu não conhecia e que tem uma salinha no fundo do corredor do Departamento de Comunicação Social da FAAC (Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação, da UNESP-Bauru). O nome dele é Francisco Rolfsen Belda, mas todos o chamam (compreensivelmente) pelo último sobrenome.

Ou, pra ficar na analogia do título, o Belda é um Gandalf pra mim.

Assim que viu o meu projeto, o Belda literalmente saltou da cadeira. Mal havíamos começado e ele já estava entusiasmado (e eu me entusiasmando com o entusiasmo dele). Trocávamos ideias sobre meu projeto original, mas logo passamos a algo que nos interessa a ambos: divulgação científica através do humor. É o que (tento) fazer aqui, então contei ao Belda sobre esta dimensão. “Eu tenho um blog, quer dar uma olhada?”

Naquele dia, a postagem mais recente era uma patente patética — mais precisamente, esta aqui. O Belda caiu de amores pelo post e eu expliquei que era parte de uma série e que já tinha mais de uma centena de patentes patéticas.

Foi então que ele cravou: “Cara, você já tá formado. Isso dá um livro!”

WHAT

A minha reação, confesso, não foi tão entusiasmada. Primeiro porque eu duvidava  que isso fosse possível e que pudesse dar certo. Seriously. Mas o que mais me preocupava era o seguinte: eu não tinha condições de bancar uma publicação. Aliás, não tenho. Só que a família do Belda tem uma editora, a Casa da Árvore. Ele se comprometeu a ser meu editor/orientador e buscar um patrocínio para publicar um livro com umas cinquenta patentes patéticas. Meu trabalho só seria escolher o que publicar e organizar o material. A essa altura já estava eufórico, louco pra sair contando pra todo mundo, mas dessa vez foi o Belda que me pôs os pés no chão: tínhamos um projeto, não um livro. Sem a certeza do patrocínio, era ainda uma possibilidade.

Escolhi o material a ser publicado ao longo de julho. Inicialmente, pensei em publicar o material tal qual estava on-line, mas é óbvio que isso não seria boa ideia. É uma mídia diferente e obviamente eu não poderia contar com links, por exemplo. Também seria fácil demais simplesmente jogar tudo num arquivo e mandar já pra diagramação. Então eu percebi outro problema: alguns dos textos mais antigos da série sequer tinham menções diretas às patentes. Tive que pesquisar esses casos novamente. Como os artigos selecionados ficariam meio fora do contexto da série, tive que trocar o título-padrão — Patentes Patéticas (nº. xx) — por algo relacionado à patente patética em questão. Por exemplo, a Patente Patética nº. 62 sairá sob o título “Cremação Solar”. No subtítulo, vai o número da patente e a data de sua aprovação pelo USPTO. Boa parte de agosto foi passada na definição destes detalhes (enquanto isso, o Belda buscava patrocínio junto aos seus contatos).

Enquanto trabalhava as dúvidas pipocavam: Como organizar as patentes no livro? Vamos ter invenções separadas por seções de acordo com o tema? Ou seria melhor ordená-las por ordem cronológica? Em qual ordem cronológica, a da publicação do post ou da aprovação da patente? Aliás, qual vai ser mesmo o formato do livro? Vamos ter outras ilustrações além das figuras das patentes? Que tal cartuns que ilustrem o invento em uso? Melhor ainda: que tal pequenos volumes temáticos: Patentes Patéticas Domésticas, Patentes Patéticas Transportes, etc?

Evidentemente apenas parte destas ideias sobreviveu. Escolhemos um formato diferente, mais informal, com páginas mais largas do que altas — tecnicamente, é o formato italiano de livro. Descartamos os cartuns: seria mais caro do que pensamos e mesmo que apenas 1/5 do material fosse ilustrado assim, não conseguiríamos terminar o livro até o fim do ano. Começamos então a discutir o projeto gráfico do livro. Propus duas versões diferentes, mas a escolhida foi uma solução de compromisso. Um híbrido que chamei de tipo 2b. Algo mais ou menos assim:

ex. 2

A essa altura, já havíamos conseguido patrocínio. O projeto todo — 1000 exemplares de tiragem, gráfica, diagramação, capa, lançamento, etc — nos custaria uns R$ 15 mil. O Belda tinha alguns patrocinadores em mente, mas não obteve retorno. Foi então que o pai dele lembrou-se do IFSC, o Instituto de Física da USP de São Carlos, onde tinha contato com Prof. Antonio Carlos Hernandes, diretor do Instituto e com o Prof. Sérgio Macarenhas. O Belda já havia escrito um livro, em coautoria e coedição, sobre a história do IFSC. Quem sabe esse esquema desse certo?

Pois deu. Ainda que ocupadíssimo, o prof. Mascarenhas interessou-se pelo projeto. Com suas bênçãos, conseguimos o financiamento da publicação através do IFSC. Gostaria de expressar aqui minha eterna gratidão aos profs. Hernandes e Mascarenhas e à USP-São Carlos pela realização deste sonho, que foi confirmada em 30/08, um dos dias mais felizes da minha vida.

sooo excited

Mas ainda era cedo para soltar a boa nova aos quatro ventos.

dramatic stitch

Precisávamos da confirmação da verba e definir mais alguns detalhes. Ficou acertado que o prof. Mascarenhas fará um Prefácio. Além das patentes patéticas, eu farei uma Apresentação da obra. E, claro, o livro tinha que ser diagramado até outubro, mandado pra gráfica em novembro e ser lançado — em São Carlos — em dezembro (em data ainda a ser definida).

Foi então que tive que deixar meus “originais” nas mãos de um profissional. Eu até podia diagramar, mas não em tempo hábil. Lembrei-me então do Cássio Carrara, colega de infância que, após dois anos de graduação em Física, fez jornalismo e atualmente trabalha como diagramador. Há anos que não o vejo e esta seria a oportunidade perfeita para visitá-lo. Ainda não conseguimos nos encontrar pessoalmente, mas até que nos encontramos rapidamente quanto ao projeto. Ele topou (por um precinho bem camarada, diga-se) e, após algumas discussões por e-mail e poucas semanas, a coisa já tava pronta.

Bem, quase. Ainda faltava a confirmação da verba (já está ok). E só agora, com o livro 90% pronto eu posso finalmente dizer que as Patentes Patéticas vão sair do virtual para as prateleiras. Não temos previsão de venda (não temos acordo com nenhuma livraria), mas a USP pretende distribuir as Patentes Patéticas para escolas públicas de ensino médio. Evidentemente, vou ficar com alguns exemplares e posso garantir que pelo menos um deles vai ser sorteado até o fim deste ano.

Agora falta apenas escolher a capa, acrescentar o prefácio do prof. Mascarenhas, redigir minha Apresentação e mandar tudo pra gráfica…

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