E então tem aquela parte em que o mentor some e todo mundo fica perdido. Não importa se esse mentor é Gandalf, o Mestre dos Magos ou o meu orientador. É verdade que orientadores sempre somem, mas o meu orientador não sumiu assim sem mais nem menos. Também não caiu num precipício para me defender de um balrog dizendo…

…e aparecendo todo branco bem mais tarde. Não foi nada disso. Em novembro o meu orientador-editor, Francisco Rolfsen Belda, que virou um Gandalf pra mim depois de me botar numa jornada inesperada, só foi participar de um congresso de comunicação na Espanha. Isso estava até dentro do nosso cronograma. Enquanto ele estava do outro lado do Atlântico eu corria feito um hobbit para arranjar uma capa e um texto de apresentação para Patentes Patéticas, o livro.

Eu achava que essa seria a parte mais simples de todas. Selecionar e adaptar material do meu próprio blog para transformar em livro (ainda mais um livro-TCC) não é tão simples quanto parece. Não basta copiar e colar conteúdo num editor de texto. E também não é moleza escolher apenas 50 patentes patéticas (eu tiver, por exemplo, de deixar de fora coisas que eu só encontrei depois que comecei a pensar no livro, como o Alçapão Anti-terrorista Aéreo).

Eu tive que reunir todas as ilustrações e textos necessários, revisar esses textos e fazer as devidas correções e adaptações.  Uma delas foi dar novos títulos. Outra foi me livrar dos links, substituindo-os eventualmente por seus homólogos impressos, as notas de rodapé*. Em alguns casos, tive que procurar a própria patente, porque no começo da série eu não sabia como fazer isso. Escolher uma imagem de capa e escrever um texto explicativo para apresentar as Patentes Patéticas me parecia ser mais simples. Só que não.

Eu e meu diagramador, o Cássio Carrara, criamos e discutimos umas quatro versões antes de chegar ao modelo final (sendo que o modelo final teve quatro versões, então foram oito capas). A primeira dessas capas alternativas era o velho clichê de “lâmpada-acesa-como-metáfora-para-invenção”:

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O que não me agradou por ser um clichê e pelo tom escuro da capa. Eu preferia uma capa mais clara — e sem uma criança porque, por mais infantis que fossem muitas patentes, elas eram coisa muito séria (ao menos pro USPTO). Já que o livro fala de patentes e, mais ainda, de patentes patéticas, porque não achar uma metáfora visual para isso? Quem sabe um cadeado que tranca a própria chave, tornando impossível abri-lo?

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Me pareceu uma boa ideia a princípio, mas não agradou o Belda, meu orientador/editor. Convenhamos, não era uma metáfora muito óbvia. Chaves e cadeados têm mais a ver com segredos, não com invenções bizarras (ainda que oficialmente protegidas). Então ele propôs que retomássemos uma capa que ele já havia proposto logo no começo do projeto:

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Era uma boa capa, sem dúvida, mas me parecia carregada demais, técnico demais. Além disso, podia ser facilmente confundida com um mero catálogo de patentes (coisa que não é) e muitas das ilustrações desta capa são de patentes que não estão no livro. O próprio Belda acabou percebendo que aquela já era uma ideia meio velha. E o ele ainda se mostrava preocupado com as margens internas.

Ele temia que o texto ficasse muito junto ao miolo, dificultando a leitura mesmo com o livro aberto. O Cássio disse que isso não seria problema, que a medida usada estava correta. Eu não estava nem um pouco a fim de refazer o trabalho inteiro. E até a gráfica acabou dizendo que, mesmo com as medidas que passamos, não haveria esse problema. 3 a 1 a favor da manutenção da margem interna.

Só que foi uma meia vitória pra mim: a gráfica também disse que seria necessário começar todos os textos em páginas pares (à direita de quem lê), como é padrão. De acordo com o projeto gráfico original, cada patente patética começava numa página ímpar (à esquerda de quem lê) porque assim a ilustração, que é a figura da própria patente, ficaria lado a lado com o começo do texto. Com a mudança, vamos ter título e figura de um lado da página e texto do outro. É uma solução que ainda não me agrada, mas é o que temos.

Com tudo isso, passou-se metade de novembro. O livro, de acordo com o cronograma original, deveria estar sendo impresso para ser lançado em dezembro. Foi então que me concentrei para escrever um texto de apresentação (que acabou saindo mais longo do que eu previa, mas não longo a ponto de precisar ser cortado) e passei eu mesmo a procurar uma ilustração para a capa em bancos de imagem. Eventualmente, eu e meu diagramador acabamos chegando à mesma imagem, uma caricatura que mostra uma geringonça enorme diante de um pequeno operador, talvez um inventor, em dúvida.

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“Onde é que eu aperto para publicar?”, pergunta-se o autor

Nisso, novembro já estava acabando e só então o livro ficou pronto. Bem, faltava ainda um pequeno perfil biográfico meu para por na quarta capa (já estava pronto há meses). Faltava ainda contatar o Belda para acertar os últimos detalhes, principalmente quanto ao lançamento. Eu decidi esperar que ele voltasse da caverna do balrog da Espanha, no começo de dezembro. Esperava que desta vez nos encontrássemos pessoalmente, mas não deu. Mais uma vez, num sábado de manhã passamos quase duas horas conversando via skype. Basicamente, acertamos o seguinte:

a) o lançamento foi adiado. Mesmo que houvesse tempo hábil, seria besteira, tanto editorial quanto academicamente, lançar um livro em pleno fim de ano. Agora o lançamento deve acontecer entre o fim de janeiro e o começo de fevereiro (o evento deve ser divulgado via Facebook). Está mantido o local, que é o Instituto de Física de São Carlos. Provavelmente, o lançamento deve ocorrer em meio aos eventos de volta às aulas e recepção dos calouros. Mas isso ainda não está 100% confirmado.

b) a distribuição vai ficar a cargo da USP. Como é a USP que está bancando a impressão do livro, é ela quem vai distribuir os exemplares. Essa primeira edição deve ter uma tiragem de 1000 exemplares. Claro que alguns vão ficar com este que vos escreve e um ou dois podem ir a sorteio em algum tipo de concurso neste blog, em sua página do Facebook e/ou no ScienceBlogs Brasil e sua página do Facebook. Na prática, portanto, você não vai encontrar o Patentes Patéticas em nenhuma livraria. A USP pretende distribuí-lo para escolas de Ensino Médio de SP e talvez de outros Estados. Porém, vamos tentar atender a demanda direta, se houver, por meio de uma lista amiga. Se você tem interesse em ter um exemplar do livro, mande um e-mail com o assunto “Patentes Patéticas”, o nome e o endereço do interessado para o endereço do autor (veja aqui o meu e-mail). Ou pode ser via inbox em nossa página no Facebook. O limite é de um exemplar por pedido e pode ser que haja despesas de entrega. Quem quiser ser mais generoso pode indicar uma escola, biblioteca ou instituição similar para receber a doação de um exemplar das Patentes Patéticas. Ressalto que não podemos garantir exemplares para todo mundo, mas estamos estudando, para meados de 2014, a possibilidade de criar um projeto de crowdfunding para uma segunda tiragem ou mesmo uma segunda edição com mais patentes.

Eu devia ter escrito esse post tão logo esses detalhes foram acertados. Mas como devem ter percebido, eu passei uns vinte dias perdido na desolação de Smaug longe do blog. Em parte porque eu realmente senti que precisava de um descanso. Em parte porque me senti triste pacas ao perceber que a graduação está acabando pra valer e que eu não vou ver praticamente ninguém da minha turma em 2014 (olhando pelo lado positivo eu não estou saindo da faculdade desempregado). É o fim de um ciclo em minha vida, pensei muitas vezes. Acho que vou acabar com as Patentes Patéticas. Também senti o medo de se publicar um livro, algo muito mais sério que um blog — algo que o Hank Green explicou num vídeo que eu só encontrei ontem.

De qualquer modo, é apenas o fim de um ano, não do blog ou das patentes patéticas. Volto no começo de 2014, com nossa tradicional retrospectiva hypercúbica (veja as de 2012, 2011, 2010) e as previsões para 2013. Sim, para 2013.

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* Eu amo notas de rodapé. Especialmente quando parecem inúteis, mas não são, ou quando são tão interessantes que acabam virando uma deliciosa digressão que toma meia página. O que não é o caso desta nota de rodapé.

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