Claro que existem falhas na economia soviética. Estas são em regra francamente expostas e constituem motivo para muita autocrítica. A indústria de material de construção está muitíssimo atrasada e o programa de moradias ficou 30% aquém de seu objetivo para 1957. Muitas estradas, e isso quando existem, são medonhos lamaçais durante boa parte do ano e o transporte ferroviário está estalando nas juntas. As dificuldades de abastecimento de Moscou em matéria de combustível são constantes. Outras cidades sofrem tremendamente com a falta de combustível. Em 1956, houve séria escassez de vidro, de máquinas-ferramentas e de maquinaria agrícola. Os recursos minerais são imensos, mas estão minguando rapidamente em certas jazidas. (…) A produção de ferro-gusa, carvão e energia elétrica aumentou, mas em menores porcentagens que nos anos anteriores. O preço dos automóveis subiu, como subiu o preço da vodca em fins de 1957. As queixas têm sido amargas e podem tornar-se ainda mais. É possível, embora certamente não seja provável, que um dia a economia inteira da União Soviética se esfacele e caia em colapso; ninguém pode fazer profecias para a eternidade. Mas duas coisas devemos ter sempre presente ao nosso espírito. Primeira: o crescimento geral tem sido constante e seguro. A URSS concorria com apenas 1,7% da produção industrial do mundo em 1917; em 1955, concorre com um pouco mais de 19%. A produção industrial dobrou entre 1951 e 1956. Segunda: a natureza do sistema soviético é tal que sua economia poderá presumivelmente ser remodelada, sendo o caso, antes de cair em colapso. — GUNTHER, John. A Rússia por dentro. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1959. pp. 396-97

Quase três décadas mais tarde, com a economia estagnada há muitos anos e sérios problemas de abastecimento interno, Gorbachov tentou remodelar o sistema econômico soviético. Diferente dos chineses, porém, Gorby acoplou a renovação da economia com a abertura política, fazendo tudo de modo tão apressado que boa parte da população, sobretudo no interior do país, não entendeu o que estava acontecendo. Pra piorar, os custos proibitivos (porém evitáveis) da malfadada Guerra do Afeganistão e do desastre de Chernobyl minaram as finanças estatais. Assim, a URSS de fato entrou em colapso ao tentar uma reforma que deveria evitar isso.

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