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Fonte: Wikimedia
ResearchBlogging.orgJá se perguntou porque uma planta que não possui sistema nervoso produz um composto capaz de nos deixar alerta? Talvez tenha alguma outra função para a planta que não sabemos. Mas no caso da cafeína, provavelmente se trata de mais um dos milhares de compostos que as plantas sintetizam para dar um fim em engraçadinhos que se aproveitam da imobilidade delas.
Esta capacidade inseticida da cefeína foi mostrada pelo neurologista James Nathanson, que levou a sério os ensaios das aranhas drogadas de Peter Witt, farmacologista famoso por testar o efeito todo tipo de droga na construção de teias em 1948. Nathanson mostrou que a cafeína mata uma série de insetos, em questão de horas ou dias, mesmo em pequenas doses, utilizando folhas de chá e sementes de café em pó (além de cafeína pura, para excluir a possibilidade de outros compostos terem este efeito). Tremores, hiperatividade e perda de apetite são alguns dos sintomas apresentados pelas largartas do tabaco que serviram de cobaias, e não parecem nem um pouco estranhos a quem já tomou uma caneca ou duas de café forte. 
O que faz todo o sentido quando olhamos de volta para plantas como o café e o chá  não só estas plantas, cacau e noz de cola também  que impregnam as folhas com cafeína, acabando com qualquer inseto que tentar mastigá-las. Na verdade, a cafeína é produzida inclusive pelas raízes, o que somado ao que é liberado por folhas caídas, torna o solo de ao redor das plantas totalmente cafeinado, um campo minado para predadores. No caso do café, quantidades ainda maiores são acumuladas nas sementes, o que garante intoxicação de pequenos artrópodes que poderiam destruí-la. Além da dispersão por aves (imagino que seja o caso, pelo tamanho e cor dos frutos) e eventuais mamíferos eretos e pelados que curtiram o efeito da cafeína em vertebrados.
O que me faz imaginar como o Peter Parker fica depois do café da manhã.
Fonte:
Nathanson, J. (1984). Caffeine and related methylxanthines: possible naturally occurring pesticides Science, 226 (4671), 184-187 DOI: 10.1126/science.6207592
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