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Prometo que eu não fiquei maluco. Ainda. Primeiro: esse post não é para todo mundo. Se você não curte ciência a ponto de discutir a discussão, tchau e até o próximo.

Eu tive um professor de Matemática no cursinho que antes de começar os exercícios mais difíceis no final de cada aula, dizia: “Esse é só para os coreanos. Não vai prestar Exatas, Medicina? Quer Letras, Biologia? Pode sair, vai jogar truco que você ganha mais. Só quero o povo cabeçudo aqui!”.

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9d/Plos_wilson.jpg

E.O. Wilson: biólogo, lenda e criador de discórdia entre divulgadores de ciência. Percebam seu sorriso maléfico enquanto observa os mortais se matando na discussão.

Voltando ao assunto: apesar de a experiência em geral ter sido ótima, algumas partes do livro Letters to a Young Scientist do biólogo-lenda-extraordinaire Edward O. Wilson me incomodaram muito. No calor da confusão, resolvi listar alguns pontos e fazer algo bem 2009: criar um debate com os amigos do SBBr e da rede de divulgação científica BR.

Tenho certeza que as opiniões de vários deles, mais especializados e estudados em teoria científica e evolução do que eu, acrescentarão muito à discussão.

Vamos começar: em negrito e aspas, a citação do livro, em Inglês para vocês não questionarem a minha tradução. Meu comentário seguirá abaixo e fiz questão de não consultar nada antes de escrever, para fomentar a discussão. I want feedback, people!

1) Após testar experimentalmente duas hipóteses sobre o comportamento de retirada dos mortos de colônias de formigas, Wilson comenta:

“I then came up with another idea: insects of all kinds that scavenge for a living, such as blowflies and scarab beetles, find their way to dead animals or dung by homing in on the scent. And they do so by using a very small number of the decomposition chemicals present. A generalization of this kind, widely applied, with at least a few facts here and there and some logical reasoning behind it, is a theory. Many more experiments, applied to other species, would be required to turn it into what can be confidently called a fact.”

Fiquei espantado com a afrouxada que Wilson deu no conceito de “teoria” em Ciência. Uma teoria científica não é definida quando existe um amplo corpo experimental e de observações que, respeitando o método científico, confirmam uma generalização e possibilitam a teoria? Para mim, “alguns fatos aqui e ali” é uma descrição muito pobre dessa complexidade.

2) “… when research is still incomplete, the idea is a theory. If the theory is proved wrong, it was not necessarily also altogether a bad theory. At least it will have stimulated new research, which adds to knowledge.”

Novamente, o problema com a definição de teoria científica. Mas nesse caso, é importante comentar a segunda frase do trecho destacado. Ao contrário do que foi escrito por Wilson, quando uma teoria científica é provada errada, incompleta ou qualquer outra coisa, o que acontece é um grande, enorme movimento no meio científico. Dizer que “enquanto a pesquisa está incompleta a ideia é uma teoria” é leviano, o que significa “pesquisa incompleta”? E uma teoria que é uma ideia, na verdade é uma hipótese, ou não cairia com base em uma única pesquisa. Ou estou errado?

3) “What remais a theory still is that evolution occurs universally by natural selection, the differential survival and successful reproduction of some combinations of hereditary traits over others in breeding populations. This proposition has been tested so many times and in so many ways, it also is now close to deserved recognition as an established fact.”

Vou acrescentar outro trecho, pois a discussão converge:

“Does biology also have laws? I have been so bold in recent years as to suggest that, yes, biology is ruled by two laws… The second law of biology, more tentative than the first, is that all evolution, beyond minor random perturbations due to high mutations and random fluctuations in the number of competing genes, is due to natural selection.”

Longe de mim querer discutir evolução por seleção natural, o meu problema foi com o “universalmente” e com “toda evolução… é produto da seleção natural”. Vou deixar a minha falta de conhecimento específico no tema dirigir a conversa: pensando tanto em macro quanto em microevolução, processos de deriva genética, epigenética, radiação adaptativa e evolução molecular são considerados parte da seleção natural?

Com a certeza de já ter colocado conteúdo demais para uma discussão, termino por aqui. Conto com a participação de vocês e, mais importante: divirtam-se!

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