Belo Monte mais uma vez

Depois de alguns comentários no post Belo Monte, um ponto de vista, tive a impressão que talvez a capacidade de me expressar pela escrita estivesse falhando absurdamente. Mas achar isso foi um exagero meu, afinal eu não escrevo tão mal assim, então resolvi escrever outro post a respeito e tentar ser mais clara agora, pra quem sabe não restar dúvidas sobre meu ponto de vista em relação à obra.

Outro dia zapeando pela TV vi o final do programa que está aqui em cima (infelizmente os conteúdos das globo tem tempo de vida na internet) e hoje buscando mais informações sobre Belo Monte pude assistí-lo e compartilhá-lo. Achei sensacional colocarem 2 pessoas para debater sobre o assunto, uma a favor e outra contra. Conheço o Roberto Smeraldi pessoalmente, inclusive sigo-o no twitter.

Hoje na Folha de S. Paulo, coincidentemente ou não, saiu na seção debate um ponto de vista a favor e outro contra sobre a usina (infelizmente exclusivo para assinantes). Mudou apenas a pessoa a contra , dessa vez o Marcelo Furtado, do Greenpeace. Seria Luiz Pinguelli Rosa o maior e único defensor da Usina?

De verdade, em ambos debates achei que o Luiz se saiu melhor, tanto no discurso do Roberto Smeraldi como no do Marcelo Furtado encontrei falhas em seus argumentos, achei suas argumentações fracas e insuficientes para me convencer que fazer aquela hidrelétrica é pior coisa que pode acontecer. Mas nem por isso acho que a usina tem que ser feita, só constatei que os argumentos de quem a defende são melhores e mais consistentes.

Quais argumentos do Roberto Smeraldi e do Marcelo Furtado são fracos? Estamos falando de uma mega obra de engenharia que por si só gera um impacto enorme independente de onde for feita, falar que o local não está preparado para receber uma obra dessas é chover no molhado, existe algum lugar no mundo que estaria? Ela causaria impactos de todos tipos onde quer que fosse instalada, imagine fazer uma obra desse porte no Estado de São Paulo (lugar mais impactado e desmatado do Brasil, achismo meu), ela causaria tantos impactos, diferentes dos que serão causados na Amazônia, mas causariam também. Marcelo cita um estudo do Greenpeace chamado de (R )evolução energética, ainda não li, mas  a maneira como ele fala parece que para termos energia eólica e solar é a mágica que ninguém descobriu ainda, só Greenpeace! Por favor, energia causa impacto não importa de onde venha, ou você acha que os painéis solares são feitos de que? E as hélices das usinas eólicas? E que fazendas de captação de energia eólica não causa impacto nenhum? Não existe mágica nem mundo perfeito e duvido que as energias alternativas sejam tão cor-de-rosa assim.

Roberto Smeraldi também cita argumentos dos quais eu concordo como a inacessibilidade à energia gerada por essas grandes hidrelétricas para as pessoas da região norte, a falta de subsídio de igual tamanho para energia eólica ou a falta de efeciência na geração, tramissão e consumo da energia. Mas esses argumentos não são especificamente relacionados à Belo Monte, são argumentos para serem usados para criticar a política energética do país, entao ao meu ver não cabem necessariamente nessa discussão.

A grande maioria das pessoas que entraram no post anterior para defender o fim de Belo Monte apontam fatores sociais para a não construção da Usina. Ok, entendo que é um dos fatores mais delicados da obra e de verdade a única solução que eu vejo pra esse caso ao invés de se sair bradando contra a usina (ou talvez essa seja uma boa alternativa, depende do ponto de vista), eu defendo que a Amazônia como um todo tem de ser defendida, defendida com um desenvolvimento tecnológico e científico agressivo para toda a floresta, só assim todos envolvidos poderão se defender de projetos impactantes como esse de forma coerente e inteligente, não como já foi feito 2 vezes pelos índios com agressões e ameaças físicas. De verdade, antes de ser contra ou a favor de Belo Monte eu defendo tecnologia, ciência e educação da mais alta qualidade para todaa as pessoas da região norte do país, sem isso tudo me parece atrasado e incoerente.

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Discussão - 4 comentários

  1. […] Belo Monte mais uma vez […]

  2. Cara Cláudia,

    concordo que os opositores à construção de Belo Monte costumam se basear em argumentos sócio-ambientais e pouco se fala na questão da técnica/tecnologia.

    Em função disso, o Escritório Piloto da Escola Politécnica da USP organizou um debate com especialistas da área de hidráulica e energia para tentar levantar esses pontos.
    Nosso debate foi muito frutífero, com uma quantidade enorme de informações e dados técnicos. Ele foi todo gravado e está disponível em: http://escritoriopiloto.org/artigo/debate-belo-monte
    Lá estão disponíveis os slides e também os vídeos do debate.

    Se estiver com tempo restrito sugiro começar pelo vídeo 3 (apresentação do Prof. Célio Bermann), mas todos possuem argumentos muitíssimo relevantes (majoritariamente contrários à construção).
    O vídeo 2 (apresentação do Prof. Podalyro) possui diversos pontos favoráveis à Usina e é muito interessante também.

    Fica como sugestão.

    Abraços

  3. […] não quero discutir Belo Monte, aliás já disse uma vez o que eu realmente defendo em relação a essa obra, principalmente depois de ler essa entrevista. Pra mim Belo Monte nada mais é do que o bode na […]

  4. Somel Serip disse:

    Claudia Chow, olá !
    Belo Monte não tem Eclusa !
    A navegabilidade de um rio, torna-o redutor da emissão de CO², sempre que ele sirva como alternativa viável ao transporte ferroviário e, com maior intensidade, ao transporte rodoviário !
    Viabilizar o transporte hidroviário, como alternativa ao transporte ferroviário ou ao rodoviário, além de ser ecologicamente sustentável, é economicamente correto!
    Na maioria dos casos, a implantação de uma hidrovia como meio de transporte, exige adequações tais como: derrocamento, dragagem ( aprofundamento ou retificação ), sinalização, balizamento, barramento e obra para transposição do desnível d’água. Tais adequações, possuem custos, relativamente, menores que os para a ferrovia ou para rodovia.
    Se focar os custos para manutenção da via, os para a hidrovia são muito inferiores, podendo chegar à zero !
    Lógico que cada tipo de carga possui o seu modal mais apropriado, incluindo, aí, o aeroviário, já que o tranporte hidroviário é o mais lento !
    Em se tratando de Corredor de Exportação para commodities, as vantagens da hidrovia se tornam tão intensas que inviabiliza comparações !
    Na Região Amazônica, o modal mais apropriado ao transporte, foi, é e sempre será, enquanto houver floresta, é o HIDROVIÁRIO.
    As discussões sobre Belo Monte, possuem uma estratégia oculta e criminosa: desviam à atenção ao fato mais incontestável que torna Belo Monte uma obra insustentável !
    Belo Monte não possuirá ECLUSA!
    O transporte empresarial de cargas é feito em comboios de chatas graneleiras e, como Belo Monte não tem Eclusa, este transporte ficará impedido de transpor o desnível para seu transcurso na interlandia à montante do barramento !
    Sabemos que a concorrência internacional é poderosa o suficiente para intervir, sutilmente, na governabilidade brasileira e isto é o que deve estar de fato ocorrendo com Belo Monte !
    Não podemos ficar calados e permitir que Belo Monte fique intransponível e inviabilize, definitivamente, o Xingú como Futuro Corredor de Exportação para as commodities do centro-oeste brasileiro !
    Abraços à todos !
    Somel Serip.

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