Qual a melhor utilidade para uma lista telefônica hoje em dia? Escorar o pé da mesa bamba? Servir de peso de papel? Fonte de papel reciclável? Aparentemente, listas telefônicas também podem ser usadas para redistribuir renda. Foi exatamente assim que um excêntrico aristocrata português resolveu usar uma lista telefônica para se despedir da vida.

Em vez de legar sua herança para hospitais, instituições de caridade ou alguma ONG, Luís Carlos de Noronha Cabral da Câmara resolveu partilhar seus bens entre 70 pessoas escolhidas ao acaso em uma lista telefônica de Lisboa. Parece piada, ou pior, um golpe, mas não é nem uma coisa nem outra.

Um dos poucos aristocratas excêntricos de Portugal, o Sr. Cabral da Câmara era um solteirão sem filhos que faleceu em 2001, aos 42 anos. Apesar da nobreza, Luis Carlos era um filho ilegítimo e tinha poucos amigos. Por isso mesmo, treze anos antes de morrer, ele já havia registrado em cartório um testamento com uma lista de números que ele escolheu aleatoreamente diante de duas testemunhas.

Na época, muita gente se surpreendeu não pela excentricidade do testamento, mas pelo testamento em si. Como os brasileiros, os portugueses abominam tanto a morte que não têm o hábito de registrar testamentos.

Entre os bens legados, havia um apartamento de 12 quartos no centro de Lisboa, uma casa na cidade histórica de Guimarães, um carro, um par de motocicletas e 25 mil euros em dinheiro. Pode parecer pouco para cada herdeiro telefônico — especialmente agora que Portugal está em crise. Mas se o Sr. Cabral da Câmara não tivesse indicado herdeiros, sua fortuna acabaria nas mãos do governo português.

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