Ok, esse título não é muito sutil. Mas foi o que me ocorreu quando me deparei com esse trecho de Montaigne:

O físico Arquelau (ou Archelau), de quem Sócrates foi discípulo e favorito, segundo Aristóxeno, pensava que os homens e os animais eram engedrados por um barro leitoso produzido pela ação do fogo interno da terra; Pitágoras pensa que o sêmen, de que provimos, é a espuma do que há de melhor em nosso sangue; Platão diz que se trata de um corrimento da coluna vertebral e dá como prova o sentir-se nesse ponto a fadiga da tarefa fecundadora; Alcméon acha que é uma parte da substância de que se constitui o cérebro, e o comprova pelo enfraquecimento da vista nos que abusam da cópula; Demócrito considera que seja uma substância extraída de tudo o que entra na composição do corpo; Epicuro, que essa substância se extrai da alma e do corpo; Aristóteles, que é uma secreção proveniente do sangue e a última a expandir-se pelos membros; outros veem nessa secreção sangue cozido e justificam sua opinião com o fato de por vezes aparecerem gotas de sangue no pênis quando há por demais esforço em suas funções, e é a hipótese mais plausível, se é que algo pode ser plausível nessa infinidade confusa de opiniões. (Ensaios, trecho da “Apologia de Sebonde”)

Não foi a primeira vez que o pai do ensaísmo (ou, se preferir, blogueiro quinhentista) voltou sua atenção para um fluido corporal. Já vimos como ele considerou asqueroso o hábito de assoar o nariz com um lenço.

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