Entre os Kulkis, se um homem cai de uma árvore e é morto, é dever sagrado derrubar a árvore, cortá-la em pedaços e jogá-los fora da comunidade. O espírito da árvore, supõem, causou o acidente e o sangue do falecido não terá sido inteiramente vingado até que o objeto ofensivo tenha sido extraído da face da Terra. Um sobrevivente dessa noção era o costume de queimar hereges e lançar suas cinzas aos quatro ventos ou em rios que correm para o mar. As leis de Drakôn e Erechtheus exigiam que as armas e todos os outros objetos pelo qual uma pessoa tenha perdido a vida fossem publicamente condenados e lançados para fora das fronteiras atenienses. Essa sentença de banimento, então considerada uma das mais severas que se podia aplicar, foi pronunciada contra a espada que matara um sacerdote e também contra um busto do poeta elegíaco Theognis, que caíra sobre um homem, matando-o. Mesmo nos casos em que alguém poderia considerar como homicídio justificável por legítima defesa, não se admitia exceção. Assim, a estátua erigida pelos atenienses em honra de um famoso atleta, Nikôn de Thasos, foi atacada e derrubada de seu pedestal por invejosos inimigos [do homenageado]. Ao cair, a estátua matou um dos atacantes e foi levada ao tribunal, onde foi sentenciada a ser lançada ao mar. Processos judiciais desse tipo eram chamados de “procedimentos contra as coisas inanimadas” e eram conduzidas na baixa corte de Atenas conhecida como Prytaneion. Tais processos são relatados por Ésquines, Pausânias, Demóstenes e outros autores, e brevemente descritos no “Onomasticon” de Julius Pollux e no “Lexicon Decem Oratorum Graecorum” de Valerius Hapokration. — Edward Payson Evans, The Criminal Prosecution and Capital Punishment of Animals [O Processo Criminal e Punição Capital de Animais], 1906

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