Lutas entre mulheres eram espetáculos comuns na Londres do século XVIII. Nesta gravura da época, a moça da esquerda seria a famosa Elizabeth Stokes.

Ainda há quem se espante com as mulheres que praticam boxe, mas o pugilismo feminino é um esporte secular. O suposto “sexo frágil” começou a lutar nos primórdios do boxe, ainda no século XVIII. “O crescimento do desagradável sistema que permitia os combates públicos entre mulheres”, lamenta Henry Sampson, em sua History of Advertising (1874), “é exibido em diversos anúncios de 1722. O mais notável entre esses é um no qual um desafio e uma réplica são publicados para induzir o público a desembolsar seu dinheiro para testemunhar um espetáculo que teria doído em muitos marmanjos:

DESAFIO. — Eu, Elizabeth Wilkinson, de Clerkenwell, tive algumas palavras com Hannah Hyfield e, buscando satisfações, convido-a para encontrar-se comigo sobre um palco [ringue] e me boxear por três guinéus. Cada mulher segurará meia-coroa em cada mão e a primeira que deixar cair seu dinheiro perde a batalha.
RÉPLICA. — Eu, Hannah Hyfield, de Newgate Market, ao saber da resolução de Elizabeth Wilkinson, digo que não falharei, se Deus quiser, em lhe dar mais golpes que palavras e dela não receber favor nenhum. Ela pode esperar um bom espancamento!”

Não sabemos qual o resultado do duelo Wilkinson vs. Hyfield, mas elas não foram as primeiras nem as últimas pugilistas da Londres setecentista. O Daily Post de 17 de julho de 1728 anunciava uma luta que, a julgar pelas palavras, deve ter sido muito mais épica. O anúncio também foi reproduzido por Sampson em seu livro:

No Anfieteatro de Mr. Stokes, em Islington Road, no próximo dia 7 de outubro, segunda-feira, haverá um completo Duelo de Boxe entre as duas Campeãs a seguir:
— Eu, Ann Field, de Stoke Newington, condutora de jumentos bem conhecida por minhas habilidades no boxe em minha própria defesa sempre que foi necessário, tendo sido afrontada por Mrs. Stokes, considerada a Campeã Europeia, convido-a claramente para uma exibição das melhores habilidades do boxe por 10 libras justas. Nada peço além de lhe dar tamanhas provas do meu julgamento que há de obrigá-la a reconhecer-me Campeã, para inteira satisfação de todos os meus amigos.
— Eu, Elizabeth Stokes, da Cidade de Londres, não tenho lutado deste modo desde que lutei com a famosa boxeadora de Billingsgate por 29 minutos e ganhei uma completa vitória (o que foi há seis anos atrás). Mas como a famosa jumenta de Stoke Newington me desafia a lutar com ela por 10 libras, eu lhe asseguro que não deixarei de encontrá-la por tal soma e não tenho dúvidas de que a presentearei com golpes mais difíceis de engolir do que qualquer um que ela tenha aplicado em seus burros.
Nota — Um homem conhecido pelo nome de Rugged and Tuff [algo como Rocha Áspera] desafia o melhor homem de Stoke Newignton a lutar contra ele por 1 guinéu.
[Os desafiantes] Devem aparecer à uma [hora da tarde] e os encontros começarão precisamente às quatro. Como de hábito também haverá a diversão do jogo de clava.

Infelizmente, Sampson não nos informa dos resultados destes combates. Diz apenas que “o pugilismo era evidentemente uma realização muito bem avaliada entre as moças de classe baixa em 1728 e não há dúvidas de que Mrs. Stokes e Mrs. Field foram consideradas pessas bastante estimáveis bem como grandes atletas em seus respectivos círculos.”

Referência

SAMPSON, Henry. A History of Advertising from the Earliest Times, Illlustrated by Anecdotes, Curious Specimens and Biographical Notes [Uma História dos Anúncios desde os Tempos mais Antigos, Ilustrada por Anedotas, Espécimes Curiosos e Notas Biográficas]. Londres: Chatto & Windus, 1874.

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