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Douglas Adams pode ter sido o primeiro a chamar a atenção para as múltiplas utilidades da toalha, mas não foi o primeiro a levar a sério esse banal pedaço de tecido felpudo, encontrável em (quase) todo banheiro. Diversos inventores tentaram aperfeiçoar esse utensílio têxtil, úmido e às vezes bolorento aplicando-lhe utilidades extra-banho.

Foi difícil escolher uma única patente, mas decidimo-nos por uma que mantém a toalha o mais intacta possível, o que permitiria seus múltiplos usos em situações interestelares. É esse o caso do Convertible Towel Costume [Traje de Toalha Conversível], elegante ideia de Charlotte B. Dike:

A presente invenção relaciona-se a aperfeiçoamentos em artigos de toalhamento [toweling, no original] que pode ser convertido para funcionar como vestuário e, em particular, como uma toalha aprimorada, de baixo custo, que provê a total utilidade, aparência e proporções de toalhas de banho convencionais e que é adaptada para pronta conversão em um vestido com estilo de capa.

Note-se a referência à “total utilidade” de uma toalha comum. E isso plenamente registrado numa patente (nº. 3.013.274) de 1961! Nativa de Stoneham, Massachussets Ohio, Mrs. Dike provavelmente deve ter sido uma mochileira!

Entre as justificativas, ela admite que a reutilização de toalhas como vestimenta não é original. Já havia patentes anteriores tentando lidar com as múltiplas utilidade de uma toalha, mas Mrs. Dike é a única a reconhecer que todas essas invenções foram “inspiradas por um comum e ainda mais antigo expediente de banhistas na formação de vestimentas temporárias enroladas com toalhas.”

No entanto, ela critica o uso de buracos à guisa de gola ou de toalhas com tamanho desproporcional, o que atrapalha a principal utilidade de uma toalha — o enxugamento. Para evitar a perda de utilidade banhísticas, a inventora propõe o uso não de uma, mas de duas toalhas, ou melhor:

duas seções de material macio de enxugamento cada um em forma retangular, tendo uma largura levemente em excesso em relação ao ombro e comprimento levemente em excesso em relação ao tronco […] Essas duas seções são permanentemente presas em relação às extremidades, com uma sobreposição predeterminada entre as ditas extremidades, por curtas linhas de costura que formam suturas estendendo-se de cada uma das laterais uma pequena distância no sentido do mas não até o centro. A porção central não cosida forma, assim, uma pequena área de superfícies sobrepostas. No interior dessas superfícies dispõe-se um número de pequenos botões metálicos que cooperam no fechamento da superfícies que se confrontam.

Assim, nada de zíperes ou botões visivelmente expostos e que poderiam te machucar no uso pós-banho (embora essa seja uma utilidade que talvez fosse útil em lutas contra bestas extraterrestres). Adicionalmente, há botões para ajudar a fechar a parte lateral. Opcionalmente, pode haver bolsos, sempre muito úteis, seja você um(a) viajante intergalático ou não.

Ah, sim! Se você é, com o perdão do pleonasmo, um mochileiro do sexo masculino (ou qualquer outro que exista ou venha a ser descoberto na galáxia), don’t panic! Embora pareça um vestidinho sexy, o traje-toalha de Dike encaixa-se perfeitamente na moda da região mais brega da Galáxia, deixando todos com aparência ridícula. Mas quem disse que um mochileiro precisa ser sério?

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