Petronius_Arbiter_by_Bodart_1707

Indubitavelmente, muitas obras pereceram no estado de manuscrito. Por uma petição do Dr. [John] Dee [1527-1609?] à Rainha Mary, existente na Biblioteca de Cotton, parece que o tratado de Cícero — de Republica — foi um dia bastante comum neste país. [O Rev. Thomas] Huet [?-1591] observa que Petrônio [27-66] provavelmente ainda estava na íntegra nos tempos de João de Salisbúria [c. 1115-1180], que cita trechos que não se encontram entre os restos do bardo Romano. Raimond Soranzo, advogado da corte papal, possuía dois volumes de Cícero sobre a Glória, os quais foram dados como presente a Petrarca, que os emprestou a um velho homem de letras que fora seu preceptor. Pressionado por uma pobreza extrema, o velho homem os empenhou e, ao voltar pra casa, faleceu antes de revelar onde os havia deixado. Eles nunca foram recuperados. Petrarca fala deles com êxtase, e nos conta que poderia estudá-los perpetuamente. Dois séculos mais tarde, esse tratado de Cícero sobre a Glória foi mencionado num catálogo de livros doados a um monastério de freiras, mas ao ser buscado, viu-se que estava perdido. Supõe-se que Petrus Alcyonus, médico daquela instituição, furtou-o e, após transcrever o máximo que pode em um de seus próprios manuscritos, destruiu o original. Os críticos observam que Alcyonus, em seu livro De Exilio, apresenta muitas passagens esplêndidas, que se isolam de sua obra e estão muito além de seu gênio. O mendigo, neste caso um ladrão, foi reconhecido por emendar seus farrapos com retalhos de ouro e púrpura. — D’ISRAELI, Isaac. Curiosities of Literature [Curiosidades da Literatura], Vol. I. Paris: Baudry’s European Library, 1835.

Veja também: Pequenas fortunas livrescas.

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