Por que o juiz sempre rouba mais pro time adversário? (vídeo)

6_Teaser raciocinio motivado

Você já achou que o juiz estava roubando pro time adversário? Ou quando alguém discordou de você sobre um assunto do qual você entende, já teve a impressão de que essa pessoa estava teimosamente discordando de você sem razão, já que obviamente você estava certo sobre aquele partido político, time de futebol ou artista? O vídeo de hoje do Minutos Psíquicos discute algo que chamamos na psicologia de raciocínio motivado. Veja o vídeo abaixo (se o player estiver com problema, clique aqui).

Um estudo clássico sobre raciocínio motivado que exemplifica bem como esse processo psicológico ocorre foi um estudo sobre pena de morte. O estudo contava tanto com participantes que eram a favor quanto com participantes que não eram a favor da pena de morte. Pedia-se que todos eles lessem alguns estudos fictícios sobre pena de morte, sendo que alguns estudos usaram o método estatístico que chamaremos de A e outros estudos usaram o método B.

Os participantes eram divididos em dois grupos nesse estudo. Para um dos grupo, era dito que o método A levava a conclusão de que a pena de morte inibia crimes, enquanto que o método B concluia que a pena de morte não diminua a taxa de crimes. Para o outro grupo, era dito exatamente o contrário sobre as conclusões de cada método. Assim, era possível verificar se os participantes dos dois grupos faziam um julgamento imparcial acerca dos estudos fictícios, julgando o método estatístico usado por si mesmo, independente do resultado encontrado com aquele método.

O resultado foi que, independente do método usado, os participantes aprovavam mais os estudos que chegavam a conclusões coerentes com o seu posicionamento prévio. Quando um dos métodos levava a uma conclusão desejável, os participantes o consideravam adequado, mas quando o método levava a conclusões incoerentes com o posicionamento dos participantes, eles desmereciam e observavam diversos problemas no método. Nesse caso, as convicções dos participantes os motivaram a raciocinar de maneira seletiva acerca do mérito dos estudos, e é esse mesmo processo psicológico que subjaz muitas das vezes em que raciocinamos sobre temas como política, arte ou futebol.

Uma ressalva sobre o vídeo é que todas as áreas cerebrais descritas no desenho em que falamos das áreas neurais envolvidas no raciocínio motivado se tornam mais ativas, mas apenas as duas primeiras regiões citadas fazem parte do sistema límbico. O ponto importante é que, diferente do que poderíamos imaginar, áreas relacionadas a reações emocionais estão muito envolvidas com o raciocínio motivado, diferenciando esse tipo de raciocínio do que ocorre quando realizamos algo como uma conta de cabeça. Quando o assunto em questão é algo afetivamente relevante para nós, o raciocínio motivado está sempre pronto para comandar nossas mentes e proteger as nossas crenças e metas de evidências contrárias.

 Referências

Mlodinow, L. (2012). Subliminar: Como o inconsciente influencia nossas vidas. Rio de Janeiro: Zahar.

Grande parte da maneira como abordamos a questão do raciocínio motivado no vídeo foi inspirada pela maneira como Mlodinow discute o tema em seu livro “Subliminar”. Embora ele explicitamente também tenha se inspirado bastante em outra pessoa que abordou o tema, o psicólogo social Jonathan Haidt, acreditamos que a abordagem de Mlodinow tornou a apresentação do tema mais didática. Eu publiquei aqui no blog uma resenha que fiz desse livro.

Kunda, Z. (1990). The case for motivated reasoning. Psychological Bulletin, 108, 480-498.

Esse é um dos principais trabalhos científicos de revisão sobre o tema, no qual um dos maiores pesquisadores sobre o assunto revisou conceitualmente e empiricamente as evidências sobre raciocínio motivado. Clicando aqui você poderá acessar o artigo original.

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